Mesmo após corte, indústria paga 5ª tarifa de energia mais cara do mundo

Tatiana Moraes - Hoje em Dia
Publicado em 27/01/2013 às 08:39.Atualizado em 21/11/2021 às 21:13.
 (Cemig/Divulgação)
(Cemig/Divulgação)

O corte de até 32% no preço da energia pago pela indústria, anunciado na semana passada pela presidente Dilma Rousseff, fez com que o Brasil descesse apenas uma posição no ranking das energias mais caras do mundo.

Antes do corte, a energia brasileira era a quarta da lista. A partir do próximo mês, quando entrarão em vigor as novas tarifas, o país passará a ocupar a quinta colocação, ultrapassado pelo Chile.

Mas, independentemente da posição nada honrosa que o Brasil ainda ocupa, a indústria passará a pagar pela energia um preço bem mais próximo da realidade internacional.

Até as mudanças das regras (Medida Provisória 579, que ditou as condições da renovação antecipada das concessões mediante redução da tarifa), a energia industrial no Brasil era 35% mais cara do que a média mundial, segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Quando a tarifa for reduzida, a diferença cairá para 4%.

Diferença

No Brasil, de acordo com o levantamento da entidade, realizado com 27 países, o megawatt-hora da energia para as indústrias custava R$ 329, contra R$ 215,50 da média mundial. Com a MP 579, o preço cai 32%, para R$ 223,72.

Apesar da queda, a energia continuará como fator de redução da competitividade da indústria, principalmente das intensivas de energia. “Se compararmos com países que produzem alumínio em grande escala, por exemplo, veremos que a tarifa no Brasil ainda é exorbitante”, afirma o diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico (Ilumina), Roberto D’Araújo.

Estados Unidos e Canadá estão entre os principais produtores de alumínio do mundo, setor de forte consumo energético.

Nos EUA, de acordo com a Firjan, o MWh da eletricidade custa R$ 124,70, quase metade do novo preço no Brasil. Já no Canadá, o MWh é comercializado por R$ 107, menos da metade.

“A matriz energética do Canadá é semelhante à brasileira. Portanto, o preço da energia também deveria ser semelhante”, diz D’Araújo.

Para o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professor Nivalde de Castro, é preciso enxergar as mudanças promovidas pelo governo no conjunto. “Houve queda na tarifa energética e na Selic, desoneração da folha de pagamento e outras ações. É o somatório que aumenta a competitividade da indústria”, diz.

Na avaliação do especialista em energia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rodrigo Garcia, a expectativa do setor é a de que a competitividade aumente gradativamente. “As empresas de alumínio e do setor químico sentirão mais a redução, mas todas serão beneficiadas. Não é uma medida perfeita, mas traz muitas vantagens”, comenta.

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