Alívio 'insuficiente'

Mesmo com queda no preço da gasolina, motoristas estão 'na bronca' com valor do combustível em BH

Consumidores acham redução insuficiente e reclamam de grande diferença de valores entre os postos

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 18/05/2026 às 11:05.Atualizado em 18/05/2026 às 11:49.
 (Valéria Marques/ Hoje em Dia)
(Valéria Marques/ Hoje em Dia)

Mesmo com a queda no preço da gasolina em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, motoristas ainda relatam dificuldades com o custo para abastecer. Uma pesquisa divulgada pelo site Mercado Mineiro nesta segunda-feira (18) aponta redução de quase 5% no valor do combustível, mas consumidores ouvidos em postos da avenida Tereza Cristina, no bairro Prado, na região Oeste da capital, dizem que o alívio ainda é insuficiente.

O levantamento, realizado entre os dias 12 e 14 de maio em 198 postos, mostrou que o preço médio da gasolina caiu de R$ 6,38 em abril para R$ 6,06 em maio. A redução foi de 4,97%, o equivalente a R$ 0,32 por litro. O menor preço encontrado na região foi de R$ 5,49, enquanto o maior chegou a R$ 6,99.

O motorista de aplicativo Wemerson Gonçalves, de 50 anos, afirma que ainda não percebeu grande diferença no orçamento diário. Segundo ele, a redução não chega na bomba da forma esperada pelos consumidores.

"Varia muito entre os postos, mas não percebi nada. Caiu muito pouco, não é significativo, não faz diferença", afirmou Gonçalves, que tem priorizado o abastecimento com etanol para tentar reduzir os gastos operacionais.

Por outro lado, o também motorista de aplicativo Jance de Souza Meireles, de 37 anos, avalia que a redução trouxe algum impacto positivo para quem depende do carro para trabalhar, embora critique a disparidade de valores praticados pelo mercado.

"Acho que ficou bom, principalmente para a gente que é motorista. O combustível é um custo alto nosso. Mas é estranho porque aqui está barato e em outros postos está mais de R$ 6. A gente não entende o motivo dessa diferença tão alta. Já dá um alívio. Poderia ser muito melhor, mas é melhor do que pagar acima de R$ 6. Qualquer centavo conta muito", destacou Meireles.

A pesquisa do Mercado Mineiro confirmou essa percepção de disparidade entre os estabelecimentos. A diferença entre o posto mais barato e o mais caro chega a quase 27% na região pesquisada.

Para Leonardo Silva, de 48 anos, que também atua no transporte por aplicativo, a redução ajudou a amenizar os custos diários, mas o patamar atual de preços segue elevado para a categoria.

"A gente percebe, sim. Aliviou o impacto financeiro do dia a dia. É muito bem-vindo, mas ainda tem muito o que avançar. O combustível ainda está muito caro no Brasil", ponderou Silva.

Queda no preço do etanol 

O levantamento também mostrou queda no preço do etanol. O combustível passou de R$ 4,70 para R$ 4,15 em média, redução de 11,74% no último mês. 
A relação do cálculo da relação entre etanol e gasolina fixou-se em 68,5%. Como o índice de eficiência do derivado da cana-de-açúcar é estimado em até 70% do rendimento da gasolina, o abastecimento com etanol permanece financeiramente vantajoso na média da região.

Para identificar a vantagem em cada posto, o motorista deve dividir o valor do litro do etanol pelo da gasolina. Se o resultado for inferior a 0,70, o uso do etanol é recomendado. Atualmente, grande parte dos postos de combustíveis já exibe esse cálculo diretamente nos painéis informativos para orientar os clientes.

Os dados da pesquisa foram coletados antes do anúncio do governo federal sobre a medida provisória que prevê subvenção no preço da gasolina. A proposta prevê auxílio de até R$ 0,89 por litro, mas a expectativa do mercado é de que o desconto final fique entre R$ 0,40 e R$ 0,45 nas bombas.

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