
O pequeno município de Morro do Pilar, a cerca de 150 quilômetros de Belo Horizonte, conviveu duas vezes com a prosperidade econômica trazida pela exploração mineral, seguida de períodos críticos pela falta de uma alternativa à mineração após as lavras se exaurirem.
Agora, prestes a receber aporte de R$ 6,5 bilhões da mineradora Manabi, a administração municipal se antecipa para estruturar a cidade e desenvolver o que vai sustentar o lugar quando a vida útil das minas chegar ao fim.
A Prefeitura e a Manabi assinaram quatro convênios que somam repasses da mineradora ao município da ordem de R$ 48 milhões, mais de quatro vezes o orçamento anual da cidade, de R$ 11 milhões. Em paralelo, a consultoria Energy Choice foi contratada para realizar o Plano Diretor do município, que vai planejar a cidade para o horizonte de 30 anos.
“Morro do Pilar é uma cidade muito frágil. Tem uma população de 3.500 habitantes e que vem diminuindo desde 1920. Hoje, a cidade não tem potencial econômico para outros setores e estamos trabalhando nisso, com a intenção de se construir ali um grande centro educacional. A fase pré-mineração é mais complicada, porque ainda não se tem recursos da atividade mineral, e a saída são os convênios”, diz Edurado Nery, diretor da Energy Choice.
De acordo com ele, já estão assinados acordos com duas universidades estrangeiras, uma da França e outra da Suíça, além da Universidade Federal de Minas Gerais e a Federal de Lavras. Serão disponibilizados cursos de especialização, como pós-graduações e mestrados, com uma oferta inicial de 500 vagas em 2015. “Com isso, vamos atrair o turismo de negócios e o turismo ecológico”, projeta Nery.
A prefeita de Morro do Pilar, Vilma Diniz (PTC-MG), confia que os convênios viabilizarão a construção de novas creches, o custeio e ampliação de unidades de saúde já existentes e obras de urbanização. “A Prefeitura sozinha não teria condições de estruturar a cidade com recursos próprios. Na área de educação, quando a mina se exaurir, teremos um polo de educação”, afirma.
Parceria entre a Prefeitura e a empresa quer reduzir impactos
Com 3.500 habitantes, sendo 1.300 economicamente ativos, Morro do Pilar vai receber uma população flutuante de 7 mil pessoas durante a fase de obras para a abertura da mina. Com o recebimento de uma população duas vezes maior, o município precisará ampliar seus serviços.
“Percebemos a fragilidade que tinha o município para um investimento desse porte. Lá não tem aterro sanitário, a educação é crítica e, por isso, conversamos com a Prefeitura de forma clara, apontando quais seriam os impactos e como poderíamos minimizá-los. O resultado foi algo inédito na mineração, com um esforço tanto da empresa como da Prefeitura de se reorganizar. Sabemos que teremos impactos, como uma população mais que dobrando, mas estamos nos preparando para eles”, afirma o diretor-geral de administração da Manabi, Marco Túlio Ferreira.
Morro do Pilar viveu tempos de bonança no Ciclo do Ouro, seguidos de declínio econômico. Depois, em 1814, foi construído lá, por iniciativa de Intendente Câmara, o primeiro alto-forno para redução de minério de ferro da América do Sul.
Até 1830, com a produção de ferro-gusa, a cidade experimentou o que seria seu auge econômico, mas novamente a sequência foi de “vacas-magras” com o fim das operações da fundição.
“O município não tem potencial para o agronegócio. Durante um tempo se sustentou com plantações de eucalipto, mas acredito que é a educação que pode mudar a cidade, atraindo cursos de ponta, com parcerias com universidades importantes, diz Rogério Nery, da consultoria Energy Choice.