
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaura, nesta terça-feira (29), procedimento para abertura de inquérito com vistas a apurar a “interdição” dos atrativos turísticos de Catas Altas, a 130 quilômetros de Belo Horizonte, ao pé da Serra do Caraça.
Segundo denúncias de moradores do município, de 3.500 habitantes, as mineradoras que atuam na região interditaram os acessos que permitiam aos turistas visitarem as cachoeiras, trilhas e montanhas onde se pratica esportes radicais, minando o potencial turístico da região, famosa pelas belezas naturais, pelo Santuário do Caraça e pelo patrimônio histórico.
O promotor de Justiça Domingos Ventura de Miranda Júnior, da Comarca de Santa Bárbara, e que atua em Catas Altas, disse que vai solicitar informações à Vale, mineradora com atuação na região, e ouvir a população local para obter mais informações sobre o caso, que foi noticiado pelo Hoje em Dia em 22 de janeiro, dentro de uma série de reportagens que abordou os conflitos da mineração no Estado.
Vale
O prefeito da cidade, Saulo Morais de Castro, recentemente empossado vice-presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), inicialmente disse desconhecer o assunto. “Nos pontos turísticos mapeados pela Prefeitura, não temos registro de que isso ocorra”, afirmou.
Quando questionado sobre a visitação ao Pico do Baiano, Morro da Água Quente e Vale das Borboletas, ele reconheceu o problema. “Realmente, existem cachoeiras muito bonitas que poderiam ser abertas ao público. No Morro da Água Quente, as cachoeiras estão em território da Vale, não é o acesso. Os turistas não conhecem, a população visitava antes. No pico do Baiano, o acesso é que é difícil, porque tem que passar por terras da Vale”, admitiu.
Cenibra
Ele lembrou que, no caso do Vale das Borboletas, que fica em área da Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), a Prefeitura fez acordo com a empresa, regulamentou a visitação e estipulou regras, como o número de visitantes por dia além da necessidade de acompanhamento por um guia.
Castro disse também que vai “pensar” em um acordo com a Vale para liberar o acesso aos outros pontos. Em nota, a Vale informou: “não temos informações sobre o assunto disponíveis na Assessoria de Imprensa”.