
Um emergente incomoda muita gente. Mais de 100 milhões incomodam muito mais. Pelo menos é esse o sentimento expresso por integrantes das classes A e B em uma pesquisa realizada em todo o país pelo Instituto Data Popular, especializado na nova classe média brasileira.
De acordo com o levantamento, os mais abastados, em muitas situações, torcem o nariz empinado para os consumidores da classe C, que, graças à recente ascensão econômica, passaram a ter acesso a produtos e serviços antes restritos à elite.
Segundo o estudo, que ouviu mais de 15 mil pessoas do topo da pirâmide, 55,3% gostariam que os produtos tivessem versões para ricos e para pobres. Quase 50% preferem ambientes com pessoas do mesmo nível social, 62% se sentem incomodados com o aumento das filas nos cinemas e 48,4% acreditam que a qualidade dos serviços piorou com a chegada dos novos clientes.
Preconceito
E mais: 16,5% acham que homens e mulheres mal vestidos deveriam ser barrados em certos lugares e 26,4% reclamam que o metrô aumenta a circulação de gente “indesejável” na região onde mora.
Durante muitos anos, a elite viveu no mundo da exclusividade. Só ela conseguia ir a shoppings, fazer cirurgias plásticas, viajar de avião. Até que chegou a classe C, que veio para ficar e gastar. E parte da elite que se incomoda com isso terá que se acostumar”, diz o diretor do Data Popular, Renato Meirelles.
Gleidson Ferreira recheou a conta bancária no último ano com um emprego na área de transportes. Mas conta que sentiu na pele o preconceito. “Os ricos estavam acostumados com a ‘privacidade’ (sic) nos cinemas, aeroportos e restaurantes. Mas é a nossa classe que paga mais impostos, ajuda o país e tem direito a tudo isso e muito mais”, diz ele, que, para 2013, planeja levar a futura noiva Tainá Gomes para sua primeira viagem de avião.