
O movimento das aeronaves no céu brasileiro nunca foi tão grande. Mas as acomodações e a infraestrutura da maior parte dos aeroportos ainda não decolaram. No interior de Minas, em praticamente todos os terminais, as salas de embarque são desconfortáveis e ficam superlotadas na hora do voo. Vários deles são cercados por arame farpado, o que facilita a invasão de animais na pista. A falta higiene é uma constante.
O Aeroporto Coronel Altino Machado, em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, sofre com ataque de cupins. Na parede da sala de embarque e desembarque, colada às cadeiras enferrujadas reservadas os passageiros, há uma infestação dos insetos. O espaço, que comporta apenas 100 passageiros, não tem esteiras de bagagem ou equipamentos de raio-x. A precariedade se estende aos toaletes, sujos e antiquados.
“Temos conversado com algumas companhias aéreas que demonstraram interesse em operar na cidade, mas desde que o terminal do aeroporto seja modernizado”, diz Marco Rios, diretor do departamento de Transporte e Trânsito da Prefeitura de Governador Valadares.
Aperto
Aperto e desconforto também são características do aeroporto de Montes Claros. “A Gol tem um voo com 130 vagas, mas a sala de embarque tem capacidade para 80 pessoas. Como o local não é climatizado, o calor é insuportável”, reclama o presidente do Circuito Turístico Sertão Gerais, Carlos Corrêa Junior. Outro ponto de estrangulamento é o estacionamento, ocupado quase que integralmente pelos funcionários do aeroporto.
Na Serrinha, o terminal dentro de Juiz de Fora, passageiros também são submetidos a um teste de paciência. “Quando a gente desembarca no aeroporto fica trancado cerca de 15 minutos numa sala sem janelas”, queixa-se o diretor da Regional Zona da Mata da Fiemg, Francisco Campolina.
Em Varginha, no Sul de Minas, o saguão moderno em forma de nave espacial, em alusão ao ET, símbolo da cidade, contrasta com a cerca de arame farpado ao redor do terminal. “Isso é um perigo por causa da entrada de animais na pista”, alerta o diretor da Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil, Daniel Ribas. (Com Daniel Antunes, Margarida Hallacoc, Renata Miranda e Girleno Alencar)