
Dos 12 aeroportos com aviação comercial no interior de Minas, quatro não operam voos por instrumentos, procedimento que torna pouso e decolagem muito mais seguros.
Sem investimentos para compra e instalação dos equipamentos, os terminais de Diamantina, São João Del Rei, Patos de Minas e Governador Valadares só recebem aeronaves por regras visuais, quando o piloto fica 100% no comando e não conta com ajuda na navegação.
“A falta de qualquer tipo de instrumento no aeroporto é fator contribuinte contra a segurança de voo”, alerta Daniel Ribas, diretor da Associação Brasileira de Pilotos da Aviação Civil (Abrapac). Segundo ele, o auxílio à navegação gera confiabilidade nas operações de pouso e decolagem. “É como se estivéssemos (protegidos) em uma bolha”.
“Esses equipamentos estão diretamente ligados à segurança. Com eles, o avião pode tocar o chão sem que o piloto veja a pista”, corrobora o coordenador do curso de Tecnologia e Manutenção Aeronáutica da Fumec, Rogério Parra.
Vontade política
As restrições dos aeroportos esbarram no custo alto dos equipamentos e na vontade política. Para Paulo Júnior, piloto há 15 anos, como em muitos dos terminais do interior a administração é das prefeituras, o direcionamento de verba depende do prefeito. “Político que tem avião investe no aeroporto. Mas aquele que não liga, deixa o asfalto soltar, a área do aeroporto sem cerca e gente andando na pista”.
Apesar de proporcionar mais autonomia e organização ao aeroporto, alguns terminais de cidades menores também não possuem torre de controle, ou os controladores só trabalham em horários restritos. Como paliativo, contam com o Serviço de Informação Aeronáutico (AIS), uma espécie de rádio local.
Caso o expediente esteja encerrado, na torre e/ou na sala do AIS, a saída do piloto é acionar antecipadamente o aeroporto onde deseja descer e pedir ao plantonista para ligar o balizamento da pista. “Aí utilizamos da frequência para pousar, embora o nível de segurança seja menor”, detalha Júnior.