Preço da gasolina sobe em média R$ 0,60 e motoristas ficam ‘na bronca’ em postos de BH
Alta é investigada pela Senacon, após suspeita de “prática abusiva” na cadeia de distribuição; Minaspetro diz haver dificuldades no abastecimento e preços elevados

Motoristas reclamam do aumento do preço da gasolina nos postos de combustíveis nesta quarta-feira (11) em Belo Horizonte. O valor do litro subiu, em média, R$ 0,60 em diferentes estados do país. A alta é investigada pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, sob suspeita de “prática abusiva” na cadeia de distribuição.
Quem sente “na pele” o aumento é o taxista Luis Henrique, de 19 anos, que percorre diariamente o trajeto entre Montes Claros, no Norte de Minas, e a capital. Com uma rotina de 900 km rodados por dia, ele afirma que gasta semanalmente cerca de R$ 2,5 mil com combustível.
“Ainda não fiz as contas, mas com certeza esse aumento vai me prejudicar bastante. Para nós que trabalhamos com veículo, aumenta o combustível mas não aumenta o frete, a passagem e nada”, diz.
O motorista de aplicativo Raimundo Ferreira da Silva, de 49 anos, critica a agilidade dos postos em repassar custos ao consumidor. Para ele, “cada centavo a mais faz diferença no balanço do fim do mês”.
Outro condutor que reclamou dos preços foi o corretor de seguros Rui Dias, de 65 anos. O idoso apontou uma “postura passiva” da população diante de aumentos recorrentes, sugerindo que os estabelecimentos retêm estoques para lucrar com o repasse mais caro.
“Eles já estão aumentando preço. Não diminuem nunca, mas aumentam sempre. A gente paga e não reclama, porque o brasileiro é muito ‘cordeirinho’”, destaca.
Governo federal investiga alta nos preços
A alta nos preços, justificada por distribuidoras devido à crise iniciada no Oriente Médio em 28 de fevereiro de 2026, entrou no radar do Governo federal. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar supostas práticas abusivas em Minas e outras quatro unidades federativas (Bahia, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Distrito Federal).
O ofício enviado pela Senacon destaca que, embora o preço internacional do petróleo sofra pressões pelo conflito, não houve aumento nos preços praticados pela Petrobras. O órgão busca identificar se há uma tentativa de influência à adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre concorrentes - prática que pode ferir a livre concorrência.
Em nota, o Cade informou que irá “analisar os indícios mencionados na comunicação da Senacon e avaliar se há material suficiente para iniciar uma investigação”.
Abastecimento em risco
O Minaspetro, sindicato que representa os postos de combustíveis no Estado, reforçou o alerta sobre as dificuldades enfrentadas pelos revendedores. De acordo com a entidade, distribuidoras estariam impondo restrições na venda de combustíveis, especialmente para postos de "bandeira branca" (marca própria).
O sindicato indica que empresas estariam oferecendo produtos a preços exorbitantes ou simplesmente se negando a vender, o que já teria resultado em episódios pontuais de falta de combustível em alguns estabelecimentos.
“O Minaspetro informa que seguirá monitorando a situação nas bases de distribuição e mantendo revendedores e imprensa informados sobre eventuais desdobramentos no abastecimento de combustíveis em Minas Gerais”, disse em nota.
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