
O mercado de ouro vem ganhando força e valorização, neste mês. O motivo é a disputa entre Rússia e Ucrânia pelo território da Crimeia. Comumente, em épocas de crise e tensão política, o ativo tende a ter os preços elevados em função do aumento da demanda.
É que os períodos conturbados geram incerteza e muitos investidores partem para os mercados substitutos, que garantem retorno.
“Nesses casos, há sempre uma busca maior por ativos físicos e o ouro cumpre essa função. Na Bolsa de Valores, por exemplo, nenhuma ação vai valer muita coisa se houver uma guerra ou um conflito, porque as empresas não vão crescer nessas circusntâncias”, afirma o professor e coordenador do curso de Economia do Instituto Ibmec, Márcio Salvato.
Sobe e desce
Na última sexta-feira, por exemplo, o grama do ouro estava cotado a R$ 103,80, alta de 14,06% em relação a dezembro do ano passado e, segundo analistas, a tendência é continuar subindo.
De acordo com Salvato, a oportunidade pode ser interessante para quem quiser aproveitar o bom momento – e a manutenção dele – para investir.
“Essa escolha depende de como o investidor monta o cenário para o futuro. Agora, acredito que estejamos no meio da crise e que ela vá durar muito tempo. Então, vale a pena aproveitar para comprar ouro e vendê-lo ainda com preços elevados”, diz Salvato.
Segundo ele, o raciocínio precisa seguir essa linha de expectativa em relação ao evento, a fim de evitar uma compra precipitada, que resultará em prejuízos. “Caso contrário, a pessoa compra na alta e vende na baixa. É preciso considerar a situação a longo prazo”.
Risco inerente
Já o professor de Economia da Universidade Fumec Fernando Nogueira, sugere que pequenos investidores mantenham-se distantes do mercado do ouro, considerado por ele de alto risco e baixa remuneração.
“Para o pequeno poupador, ele não é vantajoso quase nunca, porque na venda perde-se muito. É preciso fazer um acompanhamento muito cotidiano da cotação e múltiplos fatores interferem nela. Hoje é a Crimeia, mas, amanhã, pode ser outra coisa”, afirma Nogueira.
A sugestão dele para os pequenos poupadores é a aplicação na caderneta de poupança ou em títulos públicos, cuja rentabilidade é razoável.
“Assim, a pessoa poderá dormir com muita tranquilidade e deixar o ouro e o dólar para os profissionais. Até que se a expectativa nacional fosse de controle da taxa de juros e da inflação, a perspectiva seria outra. Mas, da maneira como está, o preferível é aplicar na poupança e no tesouro”, diz o professor da Fumec.
Para Salvato, do Ibmec, o risco é natural em todos os investimentos de renda variável, porque não há um mínimo a ganhar - como acontece na compra de títulos públicos, por exemplo.
Investidor recebe certificado de aquisição
Para aqueles que optarem por se arriscar nesse mercado, vale dizer que a compra do ouro funciona por meio de cotas, nas quais existe uma quantidade fixa, a exemplo da Bolsa de Valores, que prevê um lote mínimo de ações. Na maioria das vezes, o investidor recebe apenas os certificados de aquisição.
“Ninguém sai com as barras em mãos. Até existe a possibilidade de fazer o resgate do bem, mas o mercado não funciona assim. As pessoas se garantem com os certificados”, afirma o professor e coordenador do curso de Economia do Instituto Ibmec, Márcio Salvato.
Segundo ele, esses documentos são a principal vantagem do mercado, porque funcionam como uma garantia física.
“Ter os certificados em mãos é o aspecto mais positivo, porque eles têm lastro com a mercadoria. Mas, como qualquer outro ativo de aplicação, o ouro apresenta volatilidade, risco de perder valor. O preço pode subir ou descer por períodos menores ou maiores”, diz o professor.
De acordo com o professor de Economia da Universidade Fumec, Fernando Nogueira, os investidores têm sempre dois objetivos: máximo de segurança e de retorno. “Em uma situação como essa (da Crimeia), há tendência é abrir mão do retorno em favor da segurança”.