
Sindicalistas brasileiros e americanos fizeram na última quinta-feira (26) um protesto em frente a uma loja da Nissan, em Belo Horizonte. Capitaneados pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) e pelo sindicato dos metalúrgicos dos Estados Unidos (United Auto Workers (UAW), eles manifestaram apoio aos trabalhadores da Nissan no Estado do Mississippi, nos Estados Unidos, que enfrentam supostas represálias ao movimento sindical.
As ações da empresa, conforme os líderes do protesto, iriam contra o Direito Fundamental de Organização Sindical, estabelecido pela Organização Internacional do Trabalho.
O presidente nacional da UGT, Ricardo Patah, acusou a Nissan dos Estados Unidos de impedir a organização sindical com ameaças de demissão e de fechamento de unidades fabris e com discriminação de ativistas.
Formalização
Patah informou que a legislação americana reconhece a formalização de um sindicato somente após a adesão de 50% mais um dos trabalhadores da empresa. A verificação do nível de sindicalização é realizada pelo governo.
“No entanto, logo após a constituição da entidade, empresas como a Nissan demitem os funcionários que se posicionaram a favor, e aí fica quase impossível conseguir a sindicalização”, informou Patah.
O representante do UAW, que lidera a campanha global de pressão sobre a Nissan, Rafael Guerra, afirmou que a planta de Canton, cidade do Mississippi onde a fábrica está localizada, tem 5.200 funcionários, 40% dos quais são terceirizados temporários e todos têm salários inferiores aos pagos na outra unidade da montadora, no Tennessee.
“Precisamos persistir na luta pelos direitos, mas infelizmente a legislação trabalhista americana ainda é atrasada, pois é determinada pelos Estados, e o Mississippi é um dos mais conservadores. Um exemplo é a licença maternidade, que é de seis semanas”, disse Guerra.
A Nissan foi procurada para se manifestar sobre o assunto, mas não respondeu às solicitações de entrevista.