
As altas nos preços dos alimentos, energia elétrica e combustíveis foram as principais pressões sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que chegou a 7,9% no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em março, índice mais alto para o mês nos últimos 10 anos.
Prévia da inflação para o mês, o indicador extrapolou o teto da meta estipulada pelo Banco Central (6,5%) em 12 meses.
A alta do IPCA-15 na Região Metropolitana de Belo Horizonte alcançou 1,16% em março, impulsionada principalmente pelos produtos hortifrutigranjeiros.
O ovo de galinha liderou a lista com a alta de 21,23%, seguido da cenoura (15,45%) e da cebola (12,54%). Outros itens em destaque foram energia elétrica (9,76%), peixe (8,60%) e gasolina (8,02%).
Um dos motivos para a elevação dos preços é o período da Quaresma, no qual o consumo de carne diminui, aumentando a demanda pelo ovo, que acaba tendo valorização.
A economista do Instituto Brasileiro de Geografia a Estatística (IBGE) em Belo Horizonte, Luciene Longo, explica que os mesmos produtos devem puxar o IPCA de março.
“O ovo e o peixe já tinham destaque no índice de fevereiro e devem permanecer em alta. A cenoura e a cebola estão no período de entressafra. O pão francês pode sofrer aumento porque boa parte do trigo é importada e tem influência do dólar elevado. Possivelmente os preços terão acomodação somente no mês de maio”, avalia.
Quedas
Na Grande BH, o resultado de março foi o quinto menor entre as 11 regiões pesquisadas. Em relação ao mês anterior, quando o índice chegou a 1,28%, a desaceleração foi de 0,12 ponto percentual. Porém, a variação acumulada em 12 meses foi de 7,04%. A maior desde novembro de 2011.
No país, o IPCA-15 de março foi de 1,24%, desaceleração em relação ao mês de fevereiro, quando o índice ficou em 1,33%. No entanto, no acumulado do primeiro trimestre, a alta já é de 3,50% e também supera os 2,11% registrados no mesmo período de 2014.
Habitação
A energia elétrica causou o maior impacto individual no IPCA-15 (0,35 p.p.), o que proporcionou ao grupo Habitação a maior variação para o mês de março no índice nacional.
O comprometimento dos reservatórios das usinas hidrelétricas que abastecem os principais Estados do Sudeste deve manter o preço da energia elétrica em alta pelo menos até a chegada do próximo período chuvoso.
Dessa forma, a expectativa é que o IPCA fechado continue registrando altas no primeiro semestre, mantendo-se ainda mais distante da meta do governo.

Energia e alimentos pressionam nova elevação da taxa básica de juro em abril
A prévia da inflação de março reflete diretamente nas expectativas do mercado em relação à taxa básica de juros. Especialistas já apontam que a Selic deve sofrer aumento na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que acontece em abril.
O economista e professor do Ibmec Eduardo Coutinho explica que as últimas reuniões do Copom já deixavam a tendência de alta explícita e a divulgação do IPCA-15 só reforça o que já era esperado.
“Tudo leva a crer que os mesmo itens devem constar no IPCA fechado de março, então, acredito que haja um acréscimo de 0,5 ponto percentual na taxa de juros. Até porque altas como a de energia elétrica irradiam por toda a cadeia produtiva. Dessa forma, o aumento nos custos pode ser repassado para o consumidor de acordo com o produto”, avalia.
Para o economista Fernando Agra, o aumento registrado pelo IPCA-15 de março é um indicador de que a inflação não deve ceder em abril e o consumidor continuará perdendo poder de compra.
Ele alerta que é preciso tomar cuidados para não se descontrolar financeiramente.
“O juro alto atrapalha as compras a prazo porque as parcelas ficam mais altas. Tanto o cheque especial quanto o rotativo do cartão ficam mais caros. A dica inicial é cortar o supérfluo nas compras de supermercado”, comenta.
Para Agra, os juros altos só ajudam a combater a inflação de demanda agregada, o que não é o caso do Brasil. “Nós vivemos a inflação de custos e os s efeitos colaterais podem ser terríveis, a começar pelo desemprego”.