A produção industrial em Minas Gerais em abriu recuou 1,8% em abril na comparação com março, a terceira maior queda entre os estados brasileiros (empatada com Pernambuco), segundo divulgou nesta sexta-feira (6) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A média nacional da produção industrial caiu 0,3% na mesma comparação.
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a produção mineira cresceu 1,6%, comparada ao mesmo período do ano anterior. Já no acumulado de 12 meses, o levantamento mostra estagnação (0,3%).
De acordo com o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Lincoln Gonçalves, embora a queda já fosse esperada, ela é preocupante, porque sela a projeção de um ano negativo.
“Tivemos dois meses muito bons, acima da média nacional, que foram janeiro e fevereiro, mas março e abril foram ruins. Então, é natural observarmos essa queda acentuada. Mas, o que nos preocupa não são esses resultados e, sim, as perspectivas futuras, porque não temos mais com o que compensar as perdas”, diz Gonçalves.
Tríade em declínio
Segundo ele, são remotas as possibilidades de recuperação dos setores que mais contribuíram para o declínio da produção local – mineração, automotivo e construção civil.
“A queda no preço do minério afeta Minas Gerais; o setor de automóveis só se recupera se houver incentivos do governo federal, mas o cenário não está muito propício a isso. E a construção civil tem apresentado resultados ruins seguidamente e tido respostas piores do que outros Estados, como São Paulo”, disse.
Brasil
No país, a maior queda na produção industrial foi registrada pelo Rio de Janeiro, de 4,2% na passagem de março para abril, seguido pelo Rio Grande do Sul (-3,0%).
Essa foi a segunda taxa negativa consecutiva dos dois Estados, que já acumulam decréscimos de 5,2% e 6,4% no ano, respectivamente. Na outra ponta, Espírito Santo (4,7%) e Goiás (4,1%) registraram as maiores taxas de crescimento em abril.
Na última quarta-feira, o IBGE já havia divulgado o balanço nacional, que mostrou recuo de 0,3% na produção brasileira na comparação com março. No confronto com abril do ano passado, o país apresenta queda ainda mais significativa, de 5,8%.
Construção sofre com alta de juros e inflação
Um dos principais responsáveis por puxar os resultados da produção industrial de Minas para baixo, o setor de construção civil amarga os efeitos da instabilidade macroeconômica. De acordo com o economista e coordenador sindical do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon-MG), Daniel Furletti, a taxa de juros em dois dígitos e a inflação resistente desfavorecem o setor.
“Copa do Mundo, eleições, tudo isso tira a urgência das decisões, posterga os negócios, inclusive os investimentos que alavancam a construção civil. Atualmente, a taxa de investimentos do Brasil está em 17%, enquanto o mínimo deveria ser de 25%. Na China, por exemplo, ela é de 45%”, afirma o economista.
Segundo ele, a expectativa é de que a recuperação do setor comece somente no ano que vem. “Temos que retomar os investimentos no país, porque 2014 está muito aquém do que se esperava”, diz.