Queixas de aposentados se destacam no ranking de reclamações do Procon da ALMG em 2025
Reclamações são motivadas principalmente pelas fraudes do INSS, segmento ocupa a 3ª posição no levantamento

O segmento das associações de aposentados se destacou entre os que mais motivaram as reclamações registradas pelo Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em 2025. As queixas aparecem no 3º lugar ranking pelo segundo ano consecutivo e, de acordo com a entidade, são motivadas principalmente pelas fraudes do INSS, que descontaram valores indevidos nas mensalidades de aposentados e pensionistas.
O relatório com os detalhes das reclamações recebidas pelo Procon da ALMG em 2025 foi divulgado nesta quarta-feira (11), durante uma audiência pública. Ao todo, foram registradas 2.827 queixas, 7,2% a mais que no ano anterior. Pelo quinto ano consecutivo, problemas relacionados diretamente à área financeira se destacaram no levantamento. Os empréstimos consignados representam a categoria com mais registros, seguida de questões com cartões de crédito.
Ao Hoje em Dia, o presidente do Procon da ALMG, Marcelo Barbosa, explicou que um dos principais motivos dos segmentos relacionados à área financeira predominarem a lista de reclamações é a concessão irresponsável de crédito por parte das instituições. “Os bancos emprestam dinheiro, abrem cartões de crédito e liberam limites sem uma análise prévia da capacidade daquele consumidor de honrar com os compromissos desse crédito”, explica Marcelo.
Para Marcelo, o incentivo à educação financeira, tanto por parte da iniciativa privada quanto por parte do Poder Público, é uma medida importante para reduzir essas reclamações.
“Quando o consumidor não tem um orçamento planejado, ele acaba gastando mais do que ele ganha, e acaba tendo que recorrer a artifícios como o empréstimo e o cartão de crédito para sobreviver ao longo do mês. Esse é outro fator que faz com que o fluxo de reclamação esteja na área do endividamento.”
Golpes online
O relatório do Procon da ALMG mostra que o 4º problema mais registrado foram os indícios de fraude. O presidente da entidade afirma que, mesmo com o crescimento do alerta com golpes utilizando inteligência artificial (como o uso de deepfakes para gerar publicidade enganosa), os links falsos ainda são os mecanismos mais reportados pelos consumidores.
“Até então, não tivemos registros de golpes com inteligência artificial no Procon da Assembleia. Já os links falsos são motivos de alertas em todos os momentos comemorativos no comércio. O consumidor acaba sendo atraído por preços baixos, não observa a forma de pagamento e não consulta a empresa pelos canais oficiais”, explica.
Para que o consumidor não caia nesses golpes, o Procon da ALMG orienta evitar clicar em links de promoções enviados por meio de redes sociais, e-mail e aplicativos de mensagens. “Caso haja o interesse em fazer uma compra pelo comércio eletrônico, é mais seguro acessar o endereço eletrônico ou o aplicativo oficial da empresa, verificar o histórico dessa loja em sites e ficar extremamente atento na forma de pagamento”, direciona Marcelo.
Outro sinal que pode indicar golpes é a forma de pagamento: empresas fraudulentas costumam não apresentar a opção de pagar com cartão de crédito ou de débito, apenas boleto ou Pix. “É importante evitar comprar em sites que usam apenas essas formas de pagamentos e, caso o consumidor opte por pagar com o Pix, prestar bastante atenção em quem é o destinatário”, recomenda o presidente do Procon da ALMG.
Caso o consumidor não consiga identificar a fraude e caia em um golpe, a orientação é procurar a polícia para fazer um boletim de ocorrência. “Vai ser feito todo um trabalho de investigação para descobrir a origem desse site e identificar o destinatário do dinheiro. O consultor pode também entrar na Justiça contra o banco que hospedou o criminoso, que é o banco destinatário dessa conta bancária”, afirma Marcelo.
Em 2025, 84% das queixas registradas foram resolvidas
O relatório aponta ainda que 84% das queixas registradas pelo Procon da ALMG foram resolvidas por conciliação, sem necessidade de recorrer à Justiça. “Insistimos que as empresas poderiam melhorar os mecanismos para solucionar os conflitos, visto que há mecanismos para resolver esses problemas - como SAC, contatos e ouvidorias - sem a necessidade de que o consumidor tenha que se deslocar para o Procon”, analisa Marcelo.
Para registrar queixas junto ao Procon da ALMG, os consumidores podem agendar o atendimento pela aba “Sou Consumidor” na página oficial da entidade, onde também é possível acompanhar o andamento dos processos. O serviço é gratuito e não exige a presença de advogado.
*Estagiária, sob supervisão de Paulo Duarte
Leia também