Restrições impostas pelo governo argentino castigam Nova Serrana

Iêva Tatiana - Do Hoje em Dia
Publicado em 28/02/2013 às 13:30.Atualizado em 21/11/2021 às 01:26.
 (Andre Brant/Hoje em Dia)
(Andre Brant/Hoje em Dia)
As restrições impostas pelo governo argentino às importações de produtos brasileiros têm deixado os fabricantes do polo calçadista de Nova Serrana, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais, no prejuízo e em compasso de espera, com remessas de até 40 mil pares barradas na fronteira.

É o caso do empresário Ramon Amaral, presidente do Grupo Amaral, detentor de quatro marcas de calçados. De acordo com o fabricante, as exportações para a Argentina representavam cerca de 10% das vendas mensais da empresa, mas, atualmente, não chegam a 2%.

“Em épocas melhores, chegamos a exportar 12 mil pares de calçados por quinzena. Em compensação, no ano passado, passamos seis meses aguardando liberação para os produtos entrarem no país vizinho”, afirma Amaral.

Mercado instável

Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostra que, no mês passado, as exportações brasileiras para a Argentina caíram 2,38% na comparação com igual mês de 2012.

Segundo o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Mauro Laviola, a restrição faz parte da política econômica adotada pelo governo argentino para reduzir remessas ao exterior. “São inúmeras medidas que vêm afetando não só o Brasil, mas como somos o principal parceiro, sofremos diretamente o impacto”, diz Laviola.

De acordo com o vice-presidente da AEB, o polo calçadista mineiro fica ainda mais prejudicado por causa dos gastos com a logística de exportação.

O empresário Antônio Pessoa, também de Nova Serrana, tenta driblar a situação dentro do mercado interno. Há cinco anos, a empresa dele exportava 30% da produção para a Argentina. Hoje, os negócios foram totalmente suspensos. “Para absorver essa perda, tivemos que lançar mais coleções durante o ano e viajar mais para outros estados”, afirma Pessoa. Para Laviola, a situação é crítica e sem perspectivas favoráveis.
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