Reciprocidade econômica

Retaliação aos EUA pode fazer Brasil perder até R$ 259 bilhões, alerta Fiemg

Federação defende saída negociada para evitar aumento de custos na indústria e impactos sobre empregos e investimentos

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 14/08/2026 às 09:38.Atualizado em 14/08/2026 às 11:38.
Fiemg estima impacto bilionário sobre a economia brasileira em cenário de sobretaxa recíproca de 50% entre Brasil e Estados Unidos (Porto de Santos/Divulgação)
Fiemg estima impacto bilionário sobre a economia brasileira em cenário de sobretaxa recíproca de 50% entre Brasil e Estados Unidos (Porto de Santos/Divulgação)

Uma eventual escalada de retaliações comerciais entre Brasil e Estados Unidos pode provocar perdas de até R$ 259 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). A entidade fez o alerta diante do novo acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às medidas tarifárias adotadas pelos norte-americanos e defendeu que o governo priorize uma saída negociada.

A projeção foi calculada pela Fiemg em estudo realizado em 2025 e considera um cenário hipotético no qual o Brasil também imponha uma sobretaxa de 50% às importações provenientes dos Estados Unidos. Nesse caso, a perda estimada corresponderia a 2,21% do PIB nacional.

Segundo a federação, os efeitos de uma disputa dessa dimensão não ficariam restritos ao comércio exterior. A avaliação é de que uma guerra comercial poderia atingir cadeias de fornecedores, produção, investimentos, trabalhadores e a arrecadação no país.

Risco de encarecer a produção no Brasil

A Fiemg defende que o Brasil utilize os instrumentos disponíveis para proteger seus interesses, mas avalia que eventuais contramedidas precisam ser definidas de forma estratégica. Um dos principais riscos apontados é a aplicação de tarifas sobre produtos dos quais a própria indústria nacional depende.

A taxação de insumos, máquinas, equipamentos e tecnologias importados dos Estados Unidos pode aumentar os custos de produção das empresas brasileiras e reduzir a competitividade. Na avaliação da entidade, isso faria com que o país acabasse sendo prejudicado duplamente pela disputa.

Por isso, a federação sustenta que as negociações devem buscar a ampliação das exceções às tarifas, a redução das barreiras comerciais e a manutenção do acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano.

Lei não significa retaliação imediata

A Fiemg ressaltou ainda que o acionamento da Lei da Reciprocidade não representa a aplicação automática de tarifas contra os Estados Unidos. A legislação já havia sido acionada em 2025. Na ocasião, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) analisou o caso e o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) reconheceu o enquadramento na lei.

Com o avanço das tratativas entre os dois países, porém, o governo brasileiro priorizou as consultas diplomáticas. Naquele processo, nenhuma tarifa retaliatória, restrição comercial ou medida envolvendo propriedade intelectual chegou a ser efetivamente aplicada.

Diante do novo acionamento, a Fiemg voltou a defender o entendimento entre os dois governos. Para a entidade, a estratégia deve combinar a defesa dos interesses brasileiros com negociações capazes de reduzir ou reverter barreiras, sem colocar em risco contratos, investimentos, produção e empregos.

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