Sabará aposta em distrito industrial para sair do G-100

Janaína Oliveira - Hoje em Dia
Publicado em 19/07/2014 às 07:30.Atualizado em 18/11/2021 às 03:26.
 (Eugênio Moraes)
(Eugênio Moraes)

Na tentativa de tirar Sabará do G-100 – grupo dos municípios populosos mais pobres do Brasil, com baixa renda per capita e alta vulnerabilidade socioeconômica –, a prefeitura municipal vai instalar o primeiro distrito industrial na cidade. O espaço é uma área de 330 mil metros quadrados na Fazenda Marzagão, no bairro Nações Unidas, onde devem se instalar 46 empresas de diversos segmentos.

Quando implantados, os empreendimentos irão gerar um aumento na arrecadação da ordem de R$ 3 milhões por ano, entre Imposto Sobre Serviços (ISS) e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). Estima-se que os cofres municipais também ganharão reforço anual de quase meio milhão de reais com o recolhimento de Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).

Com as empresas funcionando a todo o vapor, o que deve acontecer num prazo de até dois anos, a expectativa é a de que quase 5 mil empregos diretos e outros 12 mil indiretos sejam criados. “O distrito industrial é uma saída para o período de vacas magras da economia atual e pode ser a redenção da cidade, que já foi um dos campeões em IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e hoje faz parte do G-100, ranking dos 100 municípios do país mais vulneráveis socioeconomicamente, segundo os dados da Secretaria do Tesouro Nacional”, disse o prefeito de Sabará, Diógenes Fantini.

Segundo ele, não haverá isenção fiscal. O atrativo é a possibilidade de implantar a empresa em uma área maior e mais barata na comparação com o mercado, além da logística, já que o distrito está localizado próximo a grandes vias, como a BR-381.

“Enquanto o metro quadrado em Contagem, por exemplo, custa entre R$ 600 e R$ 800, no distrito industrial o preço do mesmo espaço é de R$ 100. Estamos atraindo empresas que querem fugir dos valores altíssimos vigentes na RMBH ou estão em áreas que serão desapropriadas no Anel e na BR-381”, afirmou.

Ainda de acordo com o prefeito, as empresas que lá se fixarem terão a obrigação de contratar 70% da mão de obra em Sabará, assim como a de transferir sua sede fiscal para a cidade.

“Hoje, só temos as minas de Cuiabá e Lamego da Anglo e uma usina da ArcelorMittal. Nosso comércio é fraco e o sabarense trabalha e consome fora daqui. O distrito vai nos dar maturidade econômica”, aposta.
 
Empresa aposta em redução de custos

 
O distrito industrial de Sabará é um projeto antigo, mas, segundo o prefeito Diógenes Fantini, ficou parado durante muito tempo até a aprovação pela Câmara Municipal, no último dia 7. As 46 empresas interessadas já entraram com os processos e documentação na prefeitura e só aguardam o aval para a batida de martelo. “Caso alguma recue, temos outras 30 empresas na lista de espera”, diz o chefe do Executivo.

O proprietário do Bistrô Alimentos, distribuidora de carnes nobres e comida congelada, Wanderson Pereira da Silva, não vê a hora de se mudar para a nova sede em Sabará. Hoje, por um espaço com capacidade para acondicionar entre 30 e 40 toneladas de alimentos, no bairro Sagrada Família, em BH, paga R$ 4.500 de aluguel. Com a mudança, a capacidade será ampliada para 150 toneladas.

“Lá não teremos problema de carga e descarga ou restrição para manobra dos caminhões. Além disso, estaremos em um ponto estratégico. Agora teremos como crescer”, comemora o empresário.

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