Sem crise

Setor de beleza e higiene cresce 42% na classe A, em BH, em menos de um ano

Valor dos gastos das famílias deste grupo saltou de R$ 317 milhões em 2022 para R$ 451 milhões em 2023, até o momento

Raquel Gontijo
raquel.maria@hojeemdia.com.br
Publicado em 30/10/2023 às 07:42.Atualizado em 30/10/2023 às 07:43.
O valor dos gastos das famílias mais abastadas saltou de R$ 317 milhões em 2022 para R$ 451 milhões em 2023, até o momento, na capital mineira (ArtPhoto_studio/Freepik)
O valor dos gastos das famílias mais abastadas saltou de R$ 317 milhões em 2022 para R$ 451 milhões em 2023, até o momento, na capital mineira (ArtPhoto_studio/Freepik)

O setor de higiene e cuidados pessoais cresceu 42% em Belo Horizonte, na classe A, em menos de um ano. O valor dos gastos das famílias deste grupo saltou de R$ 317 milhões em 2022 para R$ 451 milhões em 2023, até o momento. Em todo o Estado, o crescimento foi de 19,8% nesta mesma classe e 16,5% na classe B. É o que aponta uma pesquisa da IPC Maps, especializada em potencial de consumo, divulgada nessa quinta-feira (26).

Nos cálculos, são levadas em conta despesas com artigos de higiene e cuidados pessoais, como perfume, creme, bronzeador, maquiagem, sabonete, papel higiênico, absorvente e desodorante, além de outros produtos para cabelo, pele, boca, unha, etc.

Marcos Pazzini, responsável pelo IPC Maps, explica que o que mais impulsiona o crescimento são os produtos de beleza. “A população brasileira é muito vaidosa. É uma característica do brasileiro ter uma preocupação muito forte com sua beleza, sua aparência” explica.

Ainda segundo ele, as classes A e B puxam o crescimento do potencial de consumo porque trata-se de uma parcela da população que tem mais renda e que se preocupa não só com o valor que ela vai pagar mas também com a qualidade do produto que ela compra. 

“É natural que quando se tem um rendimento mais alto o consumidor tenda a ter um gasto maior com produtos de beleza e de higiene, já que existe essa preocupação, esse estilo de vida do brasileiro em relação a essa questão”, esclarece.

Em todo o país, a expectativa é que o setor movimente cerca de R$ 199,5 bilhões até o fim deste ano, o que representa um acréscimo de 5,5% em relação a 2022, quando esse número foi de R$ 189,2 bilhões, somando os gastos de todas as classes.

Ainda de acordo com a pesquisa, apesar do crescimento dos segmentos, o número de lojas do comércio varejista teve queda em BH (3 lojas fechadas) e Minas (31 lojas fechadas), de 2022 para 2023, enquanto no Brasil mais espaços foram abertos. 

“Em Minas Gerais e em Belo Horizonte tem essa queda no comércio varejista de higiene e cuidados pessoais, mas isso demonstra também, por outro lado, uma oportunidade para que grandes redes que atuam nesse segmento vejam essa oportunidade no estado e na capital, porque o potencial de consumo cresce e a quantidade de empresas para atender essa demanda do consumidor diminui. Então pode ser uma oportunidade para a entrada de players nacionais e até internacionais para oferecer produtos para o mercado local”, esclarece Pazzini. 

BH vai ganhar mais duas lojas de segmentos de cosméticos e higiene pessoal em dois shoppings da capital. Uma unidade da loja “Beleza na Web” - uma plataforma digital especializada em beleza, do Grupo Boticário - foi inaugurada nesta quarta-feira (25) no BH Shopping, região Sul da capital, e a outra estará aberta para o público no Diamond Mall, região Centro-Sul, na próxima terça-feira (31).

“O período de isolamento social contribuiu para o sedentarismo e ganho de peso da população, além da autoavaliação e autocrítica em relação ao próprio corpo. A consequência disso foi um maior consumo de serviços e produtos de beleza”, afirma Lilian Oliveira, professora e coordenadora do curso de Estética das Faculdades Promove

Estética
Para além do consumo no comércio varejista, o setor de higiene e cuidados pessoais caminha ao lado do setor de prestação de serviços estéticos. A professora e coordenadora do curso de Estética das Faculdades Promove, Lilian Oliveira, avalia que o consumo de produtos e serviços de estética cresceu após a pandemia de Covid-19. 

“O período de isolamento social contribuiu para o sedentarismo e ganho de peso da população, além da autoavaliação e autocrítica em relação ao próprio corpo. A consequência disso foi um maior consumo de serviços e produtos de beleza”, afirma. 

A docente alerta, entretanto, que serviços de estética devem ser prestados por profissionais capacitados. Ela alerta que o diferencial é que os profissionais estão habilitados para resolver problemas e tratar intercorrências. 

“Temos visto um aumento muito grande de mortes, problemas alérgicos e erros profissionais. Eu atrelo isso à falta de capacitação para atuar. Na estética o cuidado com o outro é fundamental, e é importante que esses atendimentos sejam feitos de forma correta. O profissional tem que saber o que ele está fazendo. É primordial ter conhecimento de até onde ele pode ir e o que deve ou não fazer”, conclui a docente.

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