Veja números

Tarifaço de Trump pesa mais contra Flávio Bolsonaro do que contra Lula, aponta pesquisa Quaest

Maioria concorda com tese de que senador do PL é responsável por nova taxa e rejeita argumentos da oposição, aponta levantamento

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 16/07/2026 às 10:22.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (Marcelo Camargo/Agência Brasil e Waldemir Barreto/Agência Senado/Divulgação)
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (Marcelo Camargo/Agência Brasil e Waldemir Barreto/Agência Senado/Divulgação)

A disputa de narrativas sobre a sobretaxa imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros tem gerado maior desgaste político para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do que para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (16), 51% dos entrevistados concordam com a tese de Lula de que o pré-candidato à Presidência pelo PL é o responsável pelo tarifaço norte-americano. 

Em contrapartida, 30% dos eleitores dão razão à versão apresentada pelo parlamentar, que nega as acusações e afirma ter intercedido junto ao presidente dos EUA, Donald Trump, para evitar as taxas. A vantagem do discurso governista se consolidou em relação ao mês anterior, quando o índice de apoio a Lula era de 47%, e o de Flávio, de 35%.

Pix e justificativas das taxas no centro do debate

Os entrevistados também foram questionados sobre os motivos reais para a criação da barreira alfandegária de 25% pelos EUA. A explicação do Palácio do Planalto de que as medidas configuram uma retaliação ao Pix — sistema de pagamentos instantâneos amplamente utilizado no Brasil — convenceu 49% dos brasileiros.

Já a argumentação de Flávio Bolsonaro, que atribui a imposição das tarifas às constantes declarações críticas de Lula direcionadas ao governo norte-americano, obteve 33% de adesão. O relatório da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) mencionou explicitamente o Pix, além de questões sobre propriedade intelectual, biocombustíveis e regulação de plataformas digitais.

Desconfiança sobre viagem e influência política

A recente viagem oficial realizada por Flávio Bolsonaro a Washington para tentar reverter a decisão tarifária não surtiu o efeito político esperado junto à opinião pública brasileira. O levantamento da Quaest aponta que 57% dos brasileiros sequer sabiam que o senador havia viajado para tratar desse assunto.

Entre a parcela de cidadãos que tomou conhecimento da viagem de articulação política internacional, a percepção de eficácia é baixa: 58% avaliam que o senador do PL não possui força ou influência política suficiente para convencer a administração de Donald Trump a recuar da decisão tarifária.

Preocupação social e econômica com as tarifas

Paralelamente ao debate político, a população brasileira demonstra apreensão crescente sobre o impacto do imposto em suas rotinas. A parcela de entrevistados que acredita que as novas barreiras comerciais vão prejudicar diretamente a sua vida ou a de seus familiares subiu de 55%, em junho, para 63%, em julho.

As taxas incidem sobre setores fundamentais da exportação nacional, como máquinas agrícolas, etanol, calçados e produtos industrializados. O governo brasileiro já manifestou contrariedade à nova cobrança e estuda a aplicação de mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, além de um eventual recurso ao comitê de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Veja abaixo números da pesquisa:

Responsabilidade pelo tarifaço: 

  • 51% dos brasileiros concordam mais com Lula de que Flávio Bolsonaro é o responsável pelo tarifaço dos EUA (eram 47% em junho). 
  • 30% apoiam a versão de Flávio, que nega a acusação (eram 35% no levantamento anterior). 
  • 6% não souberam ou não responderam (eram 8%).

Motivação das novas tarifas:

  • 49% concordam com o presidente Lula de que as novas taxas são uma retaliação norte-americana ao Pix (eram 46% em junho). 
  • 33% concordam com Flávio Bolsonaro de que as tarifas resultam de declarações do presidente brasileiro contra os EUA (eram 36% em junho). 
  • 10% não concordam com nenhum dos dois.

Poder de convencimento e viagem de Flávio:

  • 57% dos entrevistados afirmaram que não sabiam da viagem do senador aos EUA para tratar das tarifas. 
  • 58% avaliam que o parlamentar do PL não tem força política para convencer a gestão de Donald Trump a reverter a taxação.
  • 34% acreditam que ele possui essa influência de articulação.
  • 8% não souberam ou não responderam.

Impacto econômico no cotidiano das famílias:

  • 63% acreditam que as tarifas de importação vão trazer prejuízos diretos para suas próprias vidas ou de familiares (eram 55% em junho). 
  • 31% avaliam que a medida não trará prejuízos pessoais (eram 37% em junho). 
  • 6% não souberam ou não responderam.

A pesquisa da Quaest ouviu presencialmente 2.004 cidadãos em 120 municípios brasileiros entre os dias 10 e 13 de julho de 2026. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

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