Tarifaço dos EUA atinge US$ 234 milhões em exportações de 15 produtos mineiros
Nova taxa de 25% entra em vigor nesta terça-feira e atinge segmentos estratégicos do estado; produtos embarcados terão prazo de transição

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros que entra em vigor nesta quarta-feira (22) atinge em cheio os 15 principais produtos exportados pela indústria de Minas Gerais no rol de itens afetados. Segundo levantamento do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (CIN/Fiemg), esses produtos somaram cerca de US$ 234 milhões em vendas aos norte-americanos em 2025. Embora itens de grande peso, como café, ferro-gusa e carne bovina, tenham ficado de fora, a medida atinge diretamente segmentos em que o estado responde por quase toda a produção exportada pelo Brasil.
Os maiores valores exportados entre esses 15 itens atingidos são o sebo de bovinos, ovinos ou caprinos (US$ 33,96 milhões), os disjuntores para tensão igual ou inferior a 1 kV (US$ 32,9 milhões), as preparações capilares (US$ 22,25 milhões), as pedras preciosas ou semipreciosas trabalhadas (US$ 21,34 milhões) e as obras contendo magnesita, dolomita ou cromita (US$ 19,15 milhões).
Mais do que o volume financeiro, a preocupação está na forte dependência de Minas em alguns desses segmentos. O estado responde por 99,98% das exportações brasileiras de tijolos, placas e peças refratárias com magnésio, cálcio ou cromo; 99,93% das obras contendo magnesita, dolomita ou cromita; 99,90% da ardósia trabalhada e 97,21% dos disjuntores de baixa tensão, segundo dados da Fiemg. Esses números indicam que os efeitos da tarifa tendem a se concentrar sobre a indústria mineira.
A medida prevê uma regra de transição para mercadorias já embarcadas. Produtos que iniciaram o transporte antes da entrada em vigor da tarifa poderão ficar isentos da cobrança, desde que ingressem no mercado norte-americano até 29 de julho.
Café, ferro-gusa e carne escapam da cobrança
Apesar da preocupação, parte importante da pauta exportadora de Minas foi preservada. Entre os produtos isentos da nova tarifa estão café verde, ferro-gusa, ferronióbio, carne bovina, celulose, ouro, mel natural e determinados produtos químicos.
O ferro-gusa, que inicialmente era apontado como um dos setores mais vulneráveis, acabou incluído na lista de exceções. Em 2025, o produto movimentou mais de US$ 1 bilhão em exportações, com Minas respondendo por quase 73% do total nacional.
O café verde também ficou de fora da cobrança. As exportações mineiras do produto alcançaram cerca de US$ 1,6 bilhão no ano passado, o equivalente a aproximadamente 83% do valor exportado pelo Brasil.
Ao todo, os 15 principais produtos mineiros isentos somaram cerca de US$ 3,3 bilhões em exportações aos Estados Unidos em 2025, valor muito superior aos aproximadamente US$ 234 milhões registrados pelos principais itens atingidos pela tarifa.
Fiemg teme nova cobrança
Mesmo com as exceções, a Fiemg avalia que a nova tarifa poderá reduzir a competitividade das empresas mineiras, pressionar contratos e estimular compradores norte-americanos a buscar fornecedores de outros países ou renegociar preços.
A entidade também acompanha com preocupação um novo anúncio previsto para quinta-feira (24), relacionado à investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre produtos fabricados com trabalho forçado. A proposta prevê uma tarifa adicional de 12,5% para o Brasil.
Caso a medida seja confirmada e acumulada aos 25% já em vigor para os mesmos produtos, a cobrança poderá chegar a 37,5%.
“A combinação das medidas pode colocar produtos brasileiros em desvantagem significativa diante dos principais concorrentes internacionais, e essa diferença pode pesar diretamente na escolha do importador. A preocupação não está apenas no tamanho da tarifa, mas na diferença de tratamento entre fornecedores que disputam os mesmos compradores. O momento exige negociação, clareza nas regras e previsibilidade para preservar contratos e mercados estratégicos”, afirma Verônica Ribeiro Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN/Fiemg.
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