
O inferno astral das operadoras de celular parece não ter fim. Depois da suspensão pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) da habilitação de novos celulares para TIM, Oi e Claro, que durou 11 dias, agora as empresas entraram no radar da Câmara dos Deputados. Nessa quarta-feira (8), foi protocolado requerimento de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os preços cobrados entre as empresas de telefonia móvel para a chamada interco-nexão, que acontece quando a ligação é feita de uma operadora para outra.
Além disso, a Anatel voltou a ameaçar as operadoras com novas suspensões. Nessa quarta-feira, em audiência pública conjunta das comissões de Ciência e Tecnologia e de Defesa do Consumidor do Senado, o presidente da agência, João Rezende, disse que a Anatel vai realizar trimestralmente fiscalizações nas empresas para verificar a qualidade dos serviços. Os fiscais vão monitorar o desempenho das empresas em todos os estados, município por município, disse Rezende. E que nas cidades maiores o acompanhamento será feito antena por antena. Em novembro, a Anatel deverá apresentar ao Senado o primeiro balanço desta fiscalização.
“Não está descartada nova suspensão de vendas de chips e multas às empresas que não cumprirem as metas de qualidade”, afirmou Rezende.
Tim pressionada
A TIM é, atualmente, a empresa sob a maior pressão em função das suspeitas de que a empresa estaria deliberadamente provocando queda nas ligações dos aparelhos inscritos no programa Infinity, que oferece tarifa única da ligação, independentemente do tempo de uso. Um relatório elaborado por fiscais da agência em março, mas que veio a conhecimento público apenas nesta semana, apontou que a queda das ligações dos celulares da TIM no programa Infinity é quatro vezes maior do que o de outras empresas.
Nessa quarta, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que também participou da audiência pública no Senado, disse que pediu que a Anatel agilizasse o processo de apuração, para que deixasse o “caso esclarecido o quanto antes”.
“Tem que ter a apuração rigorosa, mas não podemos nos precipitar”, disse o ministro. A Anatel deverá concluir até novembro a análise do relatório sobre a queda das ligações da TIM.
Nessa quarta-feira (8), o vice-presidente da TIM, Mario Girassoli, negou que a empresa tenha derrubado as ligações de forma propositada. Ele disse que este tipo de prática é fraude e crime. Ele também defendeu que a apuração seja feita o mais rápido possível. “Uma coisa é qualidade de serviços o negócio, outra é a ética do negócio”, disse Girassoli.