Pesquisa da Fiemg

Um ano após tarifaço de Trump, receita das exportações mineiras de aço aos EUA cai 26%

Volume embarcado cresceu 15%, mas avanço ocorreu principalmente em aços semiacabados, de menor valor agregado

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 12/03/2026 às 14:11.Atualizado em 12/03/2026 às 14:42.
 (USIMINAS/DIVULGACAO)
(USIMINAS/DIVULGACAO)

Um ano após a entrada em vigor do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o aço, as exportações mineiras do setor passaram por mudança significativa no perfil das vendas ao mercado americano. Estudo  divulgado nesta quinta-feira (12) pela Federação das Indústrias (Fiemg) mostra que, entre 2025 e 2026, os embarques de aço de Minas para os Estados Unidos cresceram 15% em volume, mas registraram queda de 26% no valor exportado. No agregado global, as vendas externas do Estado avançaram 12% em peso, com leve recuo de 1% na receita.

Segundo a Fiemg, o resultado foi acompanhado por uma mudança no perfil da pauta exportadora. Com o aumento das tarifas, os embarques aos Estados Unidos passaram a se concentrar em produtos de menor valor agregado, principalmente os chamados aços semiacabados, utilizados como insumo para processamento de siderúrgicas no mercado americano. Na prática, isso significa que Minas passou a exportar mais aço em volume, mas com menor valor médio por tonelada, o que explica a diferença entre o crescimento do peso exportado e a queda na receita total das vendas ao país.

Produtos de menor valor agregado respondem por 53% das exportações

Em 2024, por exemplo, apenas 19% das exportações de aço aos Estados Unidos eram de semiacabados, enquanto 81% correspondiam a itens de maior valor agregado, como aços longos, tubos e canos, aços planos e inoxidáveis. Com o novo quadro tarifário, os semiacabados passaram a responder por 53% da pauta. 

"Esse cenário revela que diante da situação comercial mais desafiadora, os produtos diretamente dependentes de transformação posterior foram priorizados, enquanto os aços acabados precisaram buscar outros mercados. Vale lembrar que, no dia 12 de março de 2025, entraram em vigor as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre o aço global, e, três meses depois, a taxa foi elevada para 50%", acrescenta a Fiemg. 

Apesar das barreiras comerciais impostas, o país segue relevante para o setor siderúrgico mineiro. Em 2025, cerca de 20% das exportações de aço de Minas tiveram como destino os Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente 351 mil toneladas.

O estudo também mostra que parte das exportações mineiras foi redirecionada para outros mercados, amenizando o impacto. Países principalmente da América do Sul aumentaram as compras de aços longos e planos, além de outros mercados como Suíça, Paquistão e Itália. O Iraque, Bélgica, Catar e Índia se tornaram relevantes compradores de tubos e canos e de aços inoxidáveis.

No cenário nacional, os efeitos das tarifas também foram percebidos. Em 2025, as importações globais de aço pelos Estados Unidos caíram 12,6% em peso, enquanto as compras provenientes do Brasil recuaram 8,3%, somando 3,7 milhões de toneladas. Mesmo com a redução, o Brasil manteve posição estratégica nesse mercado. O país permaneceu como o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos, responsável por 16,3% do total importado, atrás apenas do Canadá e à frente do México.

“O tarifaço alterou de forma relevante a dinâmica do comércio internacional de aço. Minas Gerais conseguiu manter presença no mercado global, mas com mudança no perfil das exportações aos Estados Unidos, que passaram a se concentrar mais em produtos de menor valor agregado. Ao mesmo tempo, preocupa o avanço das importações de aço, especialmente em um contexto de excesso de oferta global, pressão sobre preços e risco de práticas desleais de comércio, o que exige atenção redobrada à competitividade da indústria brasileira”, afirma o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.

O estudo também alerta para outro fator de atenção: o crescimento das importações de aço no Brasil. "Em 2025, as compras externas de aço por Minas aumentaram 17%, alcançando 284 mil toneladas, a preços 11% mais baixos, muitas vezes até inferiores ao custo no mercado interno do exportador, o que configura prática ilegal", diz a entidade. O aumento das importações veio principalmente da China, responsável por 54% do total, além de países como Indonésia (18%) e Japão (11%). Para a Fiemg, o cenário exige acompanhamento permanente, especialmente diante do avanço de medidas protecionistas no comércio internacional e do risco de práticas desleais de comércio.

O Hoje em Dia entrou em contato com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG) e com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para comentar os dados. O espaço segue aberto.

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