
O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Mangabeira Unger, defendeu nesta sexta-feira (21), em Belo Horizonte, o ajuste fiscal proposto pelo governo e sob comando do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
“O ajuste fiscal não é para ganhar a confiança financeira. É para uma razão oposta. É para que o governo e o país não dependam da confiança financeira. E para que tenhamos margem de manobra para organizar um projeto rebelde de desenvolvimento nacional”, disse o ministro, após encontro com o prefeito Marcio Lacerda.
Questionado sobre como a denúncia no STF do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), pode afetar a relação entre Congresso e Planalto, ele disse que não era “apropriado” falar. “Não estou acompanhando em pormenor isso. Esses assuntos não são da minha alçada. Minha tarefa é ajudar a construir uma agenda positiva para o país”, disse.
Segundo ele, que tem viajado o país, a crise econômica pode ser uma oportunidade para crescer. “No Brasil estamos acostumados a resolver os problemas com dinheiro. Mas como estamos no ajuste fiscal e em queda econômica, imaginamos que não há dinheiro para grandes inovações. É o oposto. Se não houvesse crise, não estaríamos contemplando alternativas. A grande mudança não ocorre em tempo de bonança”, afirmou.
Mangabeira Unger criticou o modelo de desenvolvimento baseado na ampliação do acesso ao consumo e em exportação de commodities. “Nós não podemos avançar mais por esse caminho. Não só porque as circunstâncias na economia mundial mudaram, mas também porque essa estratégia permitiu manter um nível muito baixo de produtividade da economia brasileira. Precisamos agora capacitar os brasileiros, organizar a escala de produtividade”, ressaltou.
O ministro afirmou ainda que o Brasil precisa de um novo tipo de educação, mais analítica e capacitadora, ao invés da “decoreba”.