Vale vende 36,4% de participação na MBR para o Fundo de Investimento do Bradesco

Bruno Porto - Hoje em Dia
Publicado em 30/07/2015 às 19:01.Atualizado em 17/11/2021 às 01:09.

A Vale vendeu ontem por R$ 4 bilhões uma parcela de 36,4% de participação de sua subsidiária MBR para o Fundo de Investimento em Participações Multisetorial Plus II (“FIP Plus II”), cujas cotas são detidas nesta data pelo Banco Bradesco BBI. O anúncio do contrato de compra e venda foi anunciado nesta quinta-feira (30), mesmo dia em que a maior mineradora de ferro do mundo comunicou lucro líquido de R$ 5,1 bilhões no segundo trimestre deste ano. No trimestre anterior a companhia havia contabilizado um prejuízo líquido de R$ 9,5 bilhões.

Na MBR a Vale é proprietária, direta e indiretamente, de 98,3% do capital total. A subsidiária possui ativos para produção, transporte e embarque portuário do minério de ferro, dentre os quais se incluem os complexos minerários de Vargem Grande (minas Capitão do Mato e Tamanduá), Abóboras, Pico, Mutuca, Mar Azul e Jangada, todos em Minas Gerais, responsáveis pela produção de cerca de 65 milhões de toneladas de minério de ferro no ano de 2014.

Dentre os ativos detidos pela MBR estão também o Terminal Marítimo de Ilha Guaíba e uma participação de 32,9% na MRS Logística. Os ativos da MBR operam de forma integrada ao sistema de produção, transporte e embarque portuário da Vale conhecido como Sistema Sul e estão arrendados à Vale até o ano de 2037.

Em seu comunicado, a Vale informou que: “em um cenário de preços como o atual, com o índice “Platts IODEX Iron ore fines 62% Fe CFR North China” em torno de US$ 55/dmt, a Vale pagaria à MBR a título de arrendamento um valor de R$ 30,1 por tonelada métrica base úmida (wmt) produzida a partir dos ativos arrendados da MBR. Considerando as demonstrações financeiras consolidadas da Vale, o valor pago à MBR pelo arrendamento não impactará o EBITDA da companhia. A participação e os direitos do novo acionista serão contabilizados na linha de “participação de acionistas não controladores” no patrimônio líquido, bem como nas demonstrações de resultado e do fluxo de caixa”.

Após a conclusão da operação a Vale será proprietária, direta e indiretamente, de 61,9% do capital total e 98,3% do capital ordinário da MBR. A Vale também deterá uma opção de compra das Ações do FIP Plus II. De acordo com a Vale, a transação reforça o compromisso da empresa em preservar sua solidez financeira, principalmente nesse momento em que conduz o maior programa de investimento de sua história.

Histórico

Em 2003, por US$ 426 milhões, a Vale (à época Vale do Rio Doce), comprou 50% da mineradora Caemi, então segunda maior mineradora do país, e onde já detinha a outra metade. A Caemi controlava 85% da MBR. A Vale adquiriu ainda algumas participações periféricas até 2007, quando chegou aos 98,3% do capital social da MBR.

Os 50% adquiridos pela Vale na Caemi em 2003 pertenciam a japonesa Mitsui. O negócio também marcou a entrada da empresa japonesa no grupo de controle da Vale.

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