Veto a carnes do Brasil pode reduzir benefícios de acordo Mercosul-União Europeia, diz Fiemg
Entidade aponta que exclusão da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para bloco europeu pode atingir setores fundamentais para a economia brasileira e mineira

O acordo recém-firmado entre o Mercosul e a União Européia (UE) pode ser impactado pela decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco europeu. A análise é da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que manifestou preocupação em relação à medida anunciada nesta terça-feira (12).
A entidade afirma que “acompanha com atenção” a lista publicada pela Comissão Europeia e ressalta que, por se tratar de um documento ainda preliminar, a expectativa é de continuidade do diálogo técnico antes da publicação da versão definitiva. Entretanto, a Fiemg aponta que o veto pode atingir setores da pauta exportadora brasileira e mineira - como carnes bovinas e de aves, peixes, produtos lácteos, ovos, mel e preparações de carnes - que seriam beneficiados pelo acordo entre os blocos econômicos.
“O mercado europeu tem apresentado crescimento expressivo nos últimos anos, especialmente nas cadeias de carnes e mel, produtos de forte relevância para Minas Gerais e para o Brasil”, explica Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg. “Esses estão entre os segmentos mais beneficiados pelo acordo Mercosul-UE, considerando que boa parte das exportações mineiras ao bloco é composta por produtos minerais e insumos industriais que já possuem isenção tarifária.”
De acordo com um levantamento realizado pelo Centro Internacional de Negócios da federação, os produtos potencialmente afetados somaram US$ 33,44 bilhões em exportações brasileiras em 2025, sendo US$ 1,81 bilhão destinados à União Europeia - o equivalente a 5,4% dos embarques desses setores. Em Minas, as exportações do grupo alcançaram US$ 1,9 bilhão, com US$ 82,28 milhões enviados ao mercado europeu, participação de 4,3%.
'Momento exige ação coordenada entre governo e setor produtivo'
Em nota, a entidade sustenta que o Brasil possui uma cadeia produtiva reconhecida internacionalmente e que vem avançando continuamente no controle sanitário. Segundo as autoridades europeias, o veto aos produtos brasileiros ocorre porque o país não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.
A Fiemg diz ainda que medidas sanitárias e regulatórias precisam ser conduzidas com base em critérios científicos e transparentes, “sem que exigências legítimas de controle sanitário sejam transformadas em obstáculos comerciais". A federação afirma ainda que o momento exige atuação coordenada entre governo e setor produtivo para assegurar à UE as garantias técnicas necessárias à continuidade do acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu.
Governo promete reverter situação
Após o anúncio da medida, o governo brasileiro publicou uma nota dizendo que recebeu “com surpresa” a decisão do bloco europeu. O posicionamento afirma que o Brasil adotará “todas as medidas necessárias” para reverter a decisão e garantir a continuidade das vendas ao mercado europeu. A manifestação informa ainda que o chefe da delegação brasileira junto à União Europeia já tem uma reunião agendada para esta quarta-feira (13) com autoridades sanitárias europeias.
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