Calendário de reposição após greve gera impasse entre PBH e sindicato dos professores
Sind-Rede afirma que cronograma pode invadir 2027 e prejudicar estudantes que mudarão de rede; Prefeitura diz que modelo foi elaborado para garantir a aprendizagem e reduzir impactos às famílias

A definição do calendário de reposição das aulas Na rede municipal de Belo Horizonte, após os 45 dias de greve dos professores, abriu nova disputa entre a Prefeitura de BH e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (Sind-Rede/BH). Enquanto o Executivo afirma que o cronograma foi elaborado para garantir a aprendizagem dos estudantes e minimizar impactos na rotina das famílias, o sindicato acusa a administração municipal de adotar um modelo rígido, que poderá estender o ano letivo de parte dos alunos até fevereiro de 2027.
As diretrizes da reposição foram divulgadas pela Secretaria Municipal de Educação (Smed) na semana passada. Segundo a prefeitura, a maior parte das atividades será recuperada durante os recessos escolares de julho e outubro, em dias úteis. Dependendo da etapa de ensino e da quantidade de dias paralisados em cada unidade, também poderão ser utilizados sábados letivos, datas em dezembro e, em situações específicas, o período entre 10 e 28 de fevereiro de 2027.
De acordo com a PBH, a organização foi construída com base em três princípios: garantir o direito à aprendizagem dos estudantes, respeitar a jornada de trabalho dos profissionais da educação e considerar a rotina das famílias. Cada escola deverá informar diretamente aos responsáveis o calendário específico de reposição das turmas.
Sindicato critica cronograma
Em nota divulgada nesta segunda-feira (22), o Sind-Rede/BH afirmou que o calendário definido pela prefeitura poderá provocar problemas para estudantes que precisam mudar de rede de ensino no próximo ano. Segundo a entidade, alunos que tiveram 32 dias ou mais de paralisação poderão concluir o ano letivo apenas no fim de fevereiro de 2027, enquanto as redes estadual e federal costumam iniciar as aulas no começo do mesmo mês.
O sindicato argumenta que a situação pode afetar principalmente crianças de 5 anos que ingressarão no ensino fundamental, estudantes do 5º ano que serão encaminhados para escolas estaduais e alunos do 9º ano que iniciarão o ensino médio. Para a entidade, a medida acaba transferindo os impactos da greve para estudantes e famílias.
Outro ponto questionado é o tratamento dado à educação infantil. O Sind-Rede afirma ter acionado novamente o Ministério Público para discutir a reposição das turmas de 4 e 5 anos, alegando que o modelo adotado pela secretaria não garante integralmente os dias letivos previstos na legislação.
A entidade também critica a decisão de desconsiderar determinadas atividades pedagógicas, como projetos educacionais, reforço escolar e frequência às bibliotecas, na composição dos dias letivos de reposição. Segundo o sindicato, isso pode comprometer o atendimento integral aos estudantes.
Relembre a greve
A paralisação dos professores e demais trabalhadores da educação municipal começou em 27 de abril e foi encerrada em 10 de junho, após 45 dias. O movimento reivindicava melhorias salariais, avanços na carreira, melhores condições de trabalho e a definição dos critérios para reposição das aulas.
O retorno às salas de aula ocorreu em 11 de junho, após aprovação do fim da greve em assembleia realizada na Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte. Na ocasião, a prefeitura informou que os detalhes da reposição seriam definidos posteriormente em diálogo com o sindicato.
Procurada pelo Hoje em Dia, a Prefeitura de Belo Horizonte foi questionada sobre as críticas apresentadas pelo Sind-Rede/BH, a possibilidade de flexibilização do calendário de reposição e os impactos para estudantes que precisarão migrar para outras redes de ensino em 2027. Até a publicação desta matéria, não havia retorno.
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