
Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) paralisaram as atividades nesta quarta-feira (23) em uma mobilização nacional por mais recursos para a educação. Na Escola de Belas Artes (EBA), em Belo Horizonte, alunos participaram de atividades e debates sobre orçamento, assistência estudantil e condições de ensino.
A mobilização foi organizada a partir de assembleias realizadas nas unidades e faz parte de uma paralisação nacional envolvendo estudantes de instituições federais. Entre as reivindicações estão a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação, a ampliação da assistência estudantil e a criação de restaurantes estudantis nos institutos federais.
Na EBA, estudantes também apontam problemas específicos da universidade, como a falta de bolsas de pesquisa, déficit de professores e dificuldades de infraestrutura. Sol Muniz, de 21 anos, estudante de Artes Visuais e integrante do diretório acadêmico, afirma que a paralisação foi definida após uma assembleia realizada há cerca de duas semanas.
“Essa é a continuidade de uma luta que começou desde o ano passado. A gente vive num país muito rico e, no Plano Nacional de Educação, está previsto que 10% do PIB deveria ser destinado à educação”, afirma.
Segundo Sol, estudantes da EBA também discutiram problemas relacionados à estrutura dos cursos. Ela cita falta de professores, principalmente em áreas como cinema de animação e design de moda, além de dificuldades de espaço para atividades e convivência.
“Vários laboratórios não foram pensados em conjunto com os estudantes e com os professores. Turmas que deveriam ter 30 pessoas não agrupam nem metade disso”, relata.
Ela também menciona dificuldades para estudantes que precisam conciliar a graduação com outras atividades. Segundo Sol, cursos noturnos enfrentam problemas de estrutura e há estudantes que precisam disputar vagas em disciplinas para conseguir concluir a formação.
O Hoje em Dia entrou em contato com a UFMG e aguarda retorno.
Bolsas e assistência estudantil
A situação das bolsas de pesquisa também foi citada durante a mobilização. Estudante de Farmácia, Evelyn Silva, de 22 anos, afirma que a redução de recursos pode afetar principalmente alunos que dependem do auxílio para permanecer na universidade.
“A UFMG demanda o nosso dia todo, então é muito difícil trabalhar. A gente gosta desse apoio, desse incentivo para poder continuar pesquisando, contribuir com a ciência e também com a saúde”, afirma.
Na avaliação dos estudantes, a discussão sobre o orçamento também envolve a assistência oferecida dentro das universidades. Na UFMG, Sol cita mudanças no funcionamento dos restaurantes universitários, incluindo a concentração do serviço de jantar em uma das unidades.
“É uma questão da falta de assistência estudantil, a própria questão do bandejão que não abre durante os finais de semana”, afirma.
A mobilização também reúne estudantes da rede federal de ensino técnico. Segundo a Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (FENET), organizadora da paralisação, estão entre as unidades mobilizadas o IF Santa Luzia, IF Sabará, CEFET Divinópolis, além de unidades da UFMG.
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