
A greve dos professores das escolas particulares de Belo Horizonte e Região Metropolitana vai continuar por tempo indeterminado. A categoria decidiu manter a paralisação durante assembleia realizada nesta sexta-feira (18), após voltar a rejeitar a proposta patronal de dividir a atual Convenção Coletiva de Trabalho entre docentes da educação básica e do ensino superior.
Mais de 700 professores de dezenas de instituições participaram da assembleia, segundo o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG). O movimento havia sido aprovado na quarta-feira (16), quando os docentes decidiram cruzar os braços diante do impasse nas negociações da campanha salarial.
A categoria reivindica a renovação da atual Convenção Coletiva sem alterações e reajuste salarial de 3,77%, correspondente ao INPC. O documento estabelece direitos e condições de trabalho dos professores, como salários e outros benefícios.
Impasse chega ao TRT na segunda
Uma audiência de mediação está marcada para a próxima segunda-feira (21), às 14h30, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O encontro deverá discutir o impasse entre professores e representantes das instituições particulares.
Durante a audiência, os docentes pretendem realizar uma manifestação em frente ao Tribunal. A categoria volta a se reunir na manhã seguinte para avaliar o resultado da mediação e decidir os próximos passos do movimento.
A nova assembleia será realizada na terça-feira (22), às 9h30, no auditório da Fundação de Educação, Artes e Cultura (Fundac), na rua Diamantina, 463, no bairro Lagoinha, região Noroeste de Belo Horizonte.
Segundo Valéria, a categoria reduziu as reivindicações apresentadas no início da campanha salarial na tentativa de avançar nas negociações. Inicialmente, a pauta tinha mais de dez pontos relacionados à valorização da carreira, além da reivindicação de ganho real.
“Para que as discussões avançassem, passamos a defender apenas a renovação da Convenção sem mudanças e o reajuste pelo índice da inflação. Mas o patronal tem tido uma postura intransigente”, declarou.
Divisão da convenção está no centro da disputa
Segundo o Sinpro-MG, os representantes das escolas condicionam a assinatura de um novo acordo à separação da convenção em duas, uma para os profissionais da educação básica e outra para os docentes do ensino superior.
Os professores se posicionam contra a mudança. Na avaliação do sindicato, a separação reduziria a capacidade de negociação coletiva e poderia afetar direitos já conquistados, como bolsas de estudo, férias coletivas, adicional extraclasse e isonomia salarial.
“Desde o início, a categoria tem se mostrado aberta ao diálogo. Mas o patronal não quer negociar. Eles querem impor essa condição, que é extremamente prejudicial à categoria”, afirmou a presidente do Sinpro-MG, Valéria Morato.
A presidente do Sinpro-MG afirma que a manutenção de uma convenção única é necessária para preservar direitos comuns aos professores das diferentes etapas de ensino.
“Estamos diante de uma tentativa de dividir uma categoria que historicamente construiu sua força por meio da unidade. E, como estamos sem Convenção assinada, há escolas que já não estão aplicando nossos direitos, entre eles as bolsas de estudos”, afirmou Valéria.
Quando a greve foi aprovada, na quarta-feira, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG) afirmou que a “educação não parou” e que professores haviam permanecido nos postos de trabalho naquele dia. Segundo a entidade, das aproximadamente 4,2 mil escolas particulares de Minas, seis unidades de Belo Horizonte registraram dificuldades no atendimento às famílias.
Na ocasião, o Sinepe-MG também afirmou que permanecia aberto ao diálogo e à negociação da Convenção Coletiva. Até o momento, não foi apresentada no material enviado uma nova manifestação da entidade sobre a decisão tomada pelos professores nesta sexta-feira.
O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG) foi procurado pelo Hoje em Dia nesta sexta-feira (18) para comentar a decisão dos professores de manter a greve. Até a publicação desta reportagem, a entidade não havia respondido.
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