impasse na educação

Greve da educação continua em BH; PBH é acusada de “faltar com a verdade” sobre acordo

Sindicato afirma que prefeitura não atendeu principais reivindicações da categoria

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 14/05/2026 às 17:55.Atualizado em 14/05/2026 às 18:01.
Trabalhadores da educação municipal decidiram manter a greve em Belo Horizonte após assembleia realizada nesta quinta-feira (14) (Reprodução/Redes Sociais)
Trabalhadores da educação municipal decidiram manter a greve em Belo Horizonte após assembleia realizada nesta quinta-feira (14) (Reprodução/Redes Sociais)

Os trabalhadores da educação municipal de Belo Horizonte decidiram manter a greve da categoria durante assembleia realizada na tarde desta quinta-feira (14). De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH), cerca de 1.200 pessoas participaram da votação, considerada pela entidade a maior mobilização desde o início da paralisação, iniciada em 27 de abril.

A decisão ocorre um dia após a Prefeitura de Belo Horizonte afirmar que atendeu seis das oito pautas prioritárias apresentadas pelos servidores e que aguardava um acordo para encerrar a greve. O sindicato, porém, contestou a versão da administração municipal e afirmou que a PBH “falta com a verdade” ao dizer que cumpriu a maior parte das reivindicações.

De acordo com o Sind-Rede, a pauta entregue à prefeitura em março possui mais de 70 itens e ainda não teve respostas consideradas suficientes pela categoria. O sindicato acusa o Executivo municipal de tentar “desmoralizar” o movimento grevista ao divulgar avanços que, segundo a entidade, não resolvem os principais problemas enfrentados pelos profissionais da rede.

Entre os pontos ainda criticados pela categoria estão a recomposição salarial, a terceirização do Atendimento Educacional Especializado (AEE), a falta de transparência nas vagas da rede municipal e mudanças na jornada da Educação Infantil. Segundo a entidade, a prefeitura pretende discutir reajustes apenas na segunda quinzena de maio, proposta rejeitada pelo sindicato desde fevereiro.

O Sind-Rede também afirma que a PBH segue avançando na terceirização do atendimento a estudantes com deficiência e neurodivergentes por meio de Organizações da Sociedade Civil (OSCs). A entidade critica ainda a ausência de garantias sobre reposição salarial de terceirizados e a falta de detalhamento sobre critérios para distribuição de recursos às escolas.

O que diz a PBH

Em nota divulgada nesta quarta-feira (13), a prefeitura informou que aceitou pontos como a criação de um comitê para acompanhar a transição de terceirizados, a divulgação trimestral do quadro de vagas da educação e o avanço funcional para servidores com mestrado e doutorado. O município também afirmou que outras pautas seguem em negociação.

Como mostrou o Hoje em Dia, representantes da categoria estiveram na Câmara Municipal no início do mês para buscar assinaturas em apoio à abertura de uma CPI da Educação. Segundo o sindicato, o objetivo é investigar as contas da Secretaria Municipal de Educação e entender “para onde está indo o dinheiro da educação e por que as escolas seguem sem condições adequadas de funcionamento”. Até o momento, seis das 14 assinaturas necessárias foram obtidas.

Com a continuidade da paralisação, o Sind-Rede informou que deve intensificar mobilizações nos próximos dias, com panfletagens, reuniões com comunidades escolares e pressão sobre vereadores pela instalação da CPI da Educação. A Prefeitura de Belo Horizonte foi procurada pelo Hoje em Dia, mas ainda não respondeu.

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