Greve: PBH diz ter atendido 7 reivindicações 'principais'; professores mantêm paralisação
Secretária afirma que movimento deixou de ser salarial e atribui continuidade da greve a disputa sindical e política; assembleia da categoria será nesta terça-feira

Mesmo após nova proposta enviada pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), professores da rede municipal vão manter a greve que já se aproxima de um mês. Nesta segunda-feira (25), a secretária municipal de Educação, Natalia Araújo, afirmou que a administração atendeu sete reivindicações apresentadas pela categoria e declarou que “não há mais motivo para continuidade dessa greve”.
Segundo a secretária, o único ponto sem acordo segue sendo a migração dos profissionais de apoio ao educando para Organizações da Sociedade Civil (OSCs), tema que se tornou o principal foco do embate entre prefeitura e sindicato.
Secretária endureceu discurso e diz que greve "não é salarial"
Natalia endureceu o discurso e afirmou que a paralisação “não é salarial”. De acordo com ela, os professores já receberam em fevereiro os 2,4% previstos em acordo firmado na greve de 2025, além da recomposição geral de 4,11% anunciada neste ano. Para a PBH, a soma dos índices leva a um reajuste total de 6,61%.
Para o Sind-Rede BH, porém, o primeiro ponto discutido é a questão salarial. O sindicato afirma que os 2,4% pagos em janeiro não correspondem ao aumento deste ano, mas sim ao cumprimento tardio de um acordo firmado após a greve de 2025, voltado à recomposição de perdas acumuladas. Por isso, a entidade considera insuficiente a proposta atual da PBH e sustenta que as demandas da categoria seguem sem solução definitiva.
A Prefeitura afirma ainda que a greve ganhou contornos políticos e sindicais. “É uma greve de narrativas”, declarou Natalia Araújo, ao afirmar que a continuidade do movimento estaria ligada à mudança de representação sindical de 4.790 trabalhadores vinculados ao atendimento de alunos com deficiência.
Segundo a secretária, esses profissionais já eram terceirizados e apenas mudarão de vínculo empregatício, deixando uma empresa de limpeza para atuar por meio de OSCs especializadas em educação inclusiva. A gestora negou qualquer privatização da educação e afirmou que os trabalhadores terão aumento salarial com o novo modelo. “Isso é um discurso mentiroso de quem tem interesse nessa conversa, porque há por trás disso uma briga de sindicatos”, afirmou.
O que a PBH diz ter atendido
A prefeitura afirma ter contemplado sete pontos considerados prioritários pela categoria. Entre eles estão a instituição de uma data-base fixa para reajuste salarial, a criação de duas novas progressões por escolaridade, com ganho de até 10,25% na carreira, e a concessão de ajuda de custo para alimentação no valor de R$ 412,50 mensais para professores com jornada diária de 4h30.
Segundo a PBH, também foram incluídos o aumento superior a 58% no vale-refeição para profissionais com jornada de 40 horas ou dobra, elevando o benefício para R$ 60 por dia; reajuste superior a 30% para bibliotecários plenos e de 7,6% para assistentes administrativos educacionais; garantia do reajuste de 2,4% pago em janeiro deste ano; e compromisso de recomposição inflacionária na data-base de maio de 2026.
Ampliação do planejamento extraclasse na Educação Infantil
O último ponto atendido foi apresentado nesta segunda-feira e trata da ampliação do planejamento extraclasse para professores da Educação Infantil. A proposta prevê a possibilidade de parte da jornada ser cumprida em casa, sem prejuízo salarial, contemplando profissionais que antes não tinham acesso à medida.
O texto encaminhado pela Secretaria Municipal de Educação prevê que professores da Educação Infantil possam aderir a jornadas contínuas com parte da carga horária destinada ao planejamento domiciliar. A medida contempla profissionais com diferentes jornadas e vínculos e terá validade de três anos.
Adesão segue alta
Levantamento parcial obtido pelo Hoje em Dia aponta adesão elevada à greve em diversas escolas municipais, principalmente nas EMEIs. Em várias unidades, o índice informado chega a 100% de paralisação.
Entre as escolas com adesão total aparecem unidades como EMEI Aarão Reis, EMEI Céu Azul, EMEI Mantiqueira, EMEI Tirol, EM João Pinheiro e EMOC. Outras registraram percentuais acima de 90%.
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