EDUCACÃO

PBH terá 15 dias para apresentar plano revisado de reposição das aulas na rede municipal

Decisão da Justiça mineira também exige que administração municipal apresente informações sobre descontos salariais referentes à greve

Gabriela de Castro*
gabriela.castro@hojeemdia.com.br
Publicado em 07/08/2026 às 15:40.Atualizado em 07/08/2026 às 16:08.
Segundo a prefeitura, a maior parte das atividades será recuperada durante os recessos escolares de julho e outubro, em dias úteis (Geovana Albuquerque/Agência Brasília)
Segundo a prefeitura, a maior parte das atividades será recuperada durante os recessos escolares de julho e outubro, em dias úteis (Geovana Albuquerque/Agência Brasília)

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) terá 15 dias úteis para apresentar um plano revisado e detalhado para a reposição das aulas na rede municipal por conta da greve dos profissionais de educação, ocorrida entre abril  e junho deste ano. O prazo foi determinado pela 1ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal da Comarca de BH. A decisão foi divulgada nesta sexta-feira (7). 

Além disso, foi determinado que gestão municipal apresente esclarecimentos sobre a metodologia utilizada para os descontos salariais referentes aos dias de paralisação, indicando o número de parcelas, os critérios adotados, o procedimento para eventual devolução dos valores após a reposição das aulas e as medidas para evitar comprometimento da subsistência dos servidores.

A tutela de urgência foi decidida pelo juiz Mateus Bicalho de Melo Chavinho na Ação Civil Pública (ACP). O pedido havia sido feito pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH).

Na decisão, o magistrado apontou que a paralisação abrupta das reposições em andamento causaria descontinuidade do calendário escolar, podendo prejudicar a comunidade estudantil. Segundo ele, a solução proporcional seria manter as atividades em curso e determinar a complementação do calendário.

Em nota, a PBH informa que já encaminhou toda a documentação necessária para demonstrar a legalidade da reposição estabelecida. Em relação aos novos documentos solicitados, a prefeitura diz que adotará as providências necessárias para encaminhá-los dentro do prazo definido.

Calendário de reposição foi motivo de impasse

Como mostrou o Hoje Em Dia em junho, a definição do calendário de reposição das aulas na rede municipal de BH após os 45 dias de greve dos professores gerou um impasse entre a Prefeitura e o Sind-Rede/BH. 

Enquanto o Executivo afirmou que o cronograma foi elaborado para garantir a aprendizagem dos estudantes e minimizar impactos na rotina das famílias, o sindicato acusou a administração municipal de adotar um modelo rígido, que poderá estender o ano letivo de parte dos alunos até fevereiro de 2027.

Segundo a prefeitura, a maior parte das atividades será recuperada durante os recessos escolares de julho e outubro, em dias úteis. Dependendo da etapa de ensino e da quantidade de dias paralisados em cada unidade, também poderão ser utilizados sábados letivos, datas em dezembro e, em situações específicas, o período entre 10 e 28 de fevereiro de 2027. 

Relembre a greve

A paralisação dos professores e demais trabalhadores da educação municipal começou em 27 de abril e foi encerrada em 10 de junho. O movimento reivindicava melhorias salariais, avanços na carreira, melhores condições de trabalho e a definição dos critérios para reposição das aulas. 

O retorno às salas de aula ocorreu em 11 de junho, após aprovação do fim da greve em assembleia realizada na Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte. Na ocasião, a prefeitura informou que os detalhes da reposição seriam definidos posteriormente em diálogo com o sindicato. 

*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca

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