
Os professores da rede municipal de educação de Belo Horizonte decidiram nesta sexta-feira (22), em assembleia na Praça da Estação, no Centro, dar continuidade à greve. Uma nova reunião da categoria está marcada para a próxima terça-feira (26), às 14h, na porta da Prefeitura de Belo Horizonte, na avenida Afonso Pena, para definir os próximos passos da paralisação, que já dura 26 dias.
Conforme o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-REDE BH), a decisão é uma resposta direta à postura da secretária de educação da capital, que teria “encerrado as negociações de forma unilateral, fechando os canais de diálogo com a categoria e ignorando pautas fundamentais para a educação do município”.
O Hoje Em Dia procurou a Prefeitura de BH e aguarda retorno.
Relembre os motivos da paralisação
A paralisação foi iniciada por professores concursados da rede municipal, que cobram recomposição salarial e melhorias nas condições de trabalho. Segundo o sindicato dos docentes, há sobrecarga, falta de profissionais e ausência de transparência sobre vagas disponíveis nas escolas.
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil) já afirmou que não atenderá uma das oito reivindicações que, segundo ele, foram apresentadas pelo SindRede. A categoria cobra o fim das contratações via Organização da Sociedade Civil (OSCs).
Segundo nota divulgada pela PBH no início desta semana, foi apresentada à categoria uma proposta de reajuste geral de 4,11% para todos os servidores efetivos, retroativa a 1º de maio deste ano em reunião com representantes do funcionalismo. "Somado ao reajuste de 2,40% concedido em janeiro de 2026, o índice total chega a 6,61%".
Para o Sind-Rede, as contrapropostas apresentadas pela PBH até o momento são insuficientes e não resolvem as demandas protocoladas há meses junto à administração municipal. O sindicato argumenta que os 2,4% pagos em janeiro são fruto de uma conquista da greve passada, de 2025, quitados com atraso para cobrir perdas históricas do governo anterior.
Além disso, a categoria aponta outras questões enfrentadas na educação municipal, como a substituição do turno único no modelo integral da Educação Infantil por turno e contraturno. Para o sindicato, a mudança “abrindo caminho para a substituição de professores por monitores, repetindo a lógica que já precariza o Ensino Fundamental.”
Os trabalhadores concursados reivindicam a publicação imediata do quadro de vagas oficial das escolas. Conforme o Sind-REDE, até abril, havia escolas com déficit de até nove professores em um único turno. “A Prefeitura só nomeou 400 profissionais sob a ameaça da greve”, afirma a categoria em nota.
Leia também