Trabalhadores da educação pressionam Governo Zema e pedem recomposição salarial de 41%
Categoria está em greve há duas semanas e afirma que reajuste de 5,4% não cobre perdas acumuladas desde 2019

Trabalhadores da educação de Minas reivindicam recomposição salarial de 41,83% e cobram a abertura de negociação com o governo estadual. A demanda foi apresentada nesta terça-feira (17), durante audiência na Assembleia Legislativa (ALMG), solicitada pelo sindicato que representa a categoria (Sind-UTE/MG).
Parte dos trabalhadores está em greve há duas semanas e defende que o índice pedido corresponde às perdas acumuladas entre 2019 e 2025. Segundo representantes, o reajuste anunciado pelo governo - de 5,4% para todo o funcionalismo público - é insuficiente.
“É muito duro um processo de negociação que não acontece. Isso é violento e não pode ser normalizado”, afirmou a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Denise Romano.
Críticas à política salarial
Durante o encontro, representantes da categoria apontaram que a defasagem salarial tem impactado diretamente a permanência de profissionais na carreira. “As pessoas estão preferindo rodar em aplicativos de transporte a dar aula. Isso não é um problema?”, questiona Denise Romano.
Ela também criticou decisões do governo estadual, como renúncias fiscais, que, segundo dados apresentados pelo sindicato, somariam quase R$ 100 bilhões em cerca de seis anos, com impacto indireto nos investimentos em áreas como a educação.
Outro ponto criticado foi o que a categoria chama de "leilão" de 95 escolas estaduais, previsto para o próximo dia 25, em São Paulo, envolvendo unidades de 34 municípios mineiros e cerca de 70 mil estudantes. Conforme o Hoje em Dia mostrou, o Governo Zema quer uma Parceria Público-Privada (PPP) de R$ 5,1 bilhões para manutenção e reforma de instituições.
Para o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Luiz Fernando de Souza Oliveira, o cenário atual reflete desvalorização dos profissionais. “É um acinte viver no Estado que paga os mais baixos salários para profissionais da educação e um dos mais altos salários para governador, no Brasil”, afirmou.
Governo evita compromisso
O debate ocorre após o Executivo estadual anunciar reajuste linear de 5,4% para cerca de 673 mil servidores ativos, inativos e pensionistas, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026. Apesar da pressão da categoria, representantes do governo não se comprometeram com a abertura de uma agenda de negociação.
“A gente busca trazer alternativas”, disse o subsecretário de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Caio Campos, sem indicar prazo para diálogo com os sindicatos.
Subsecretária de Gestão de Recursos Humanos da Secretaria de Estado de Educação, Gláucia Cristina Ribeiro, reconheceu o esforço dos professores e relembrou concursos na área, mas não se comprometeu com agenda de negociação.
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