
O cenário laboral em Minas enfrentou desafio significativo no último ano. Mais de 560 mil trabalhadores precisaram se afastar temporariamente das funções por motivos de saúde em 2025. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o volume representa alta de 15% em relação aos 486 mil benefícios por incapacidade temporária concedidos em 2024.
O crescimento segue tendência nacional, que atingiu o maior patamar desde 2021. No Brasil, o total de profissionais que interromperam as atividades por mais de 15 dias ultrapassou a marca de 4,12 milhões, avanço também de 15% se comparado ao período anterior.
Em solo mineiro, a dorsalgia (dor nas costas) continua sendo a principal “vilã”, levando 34.470 pessoas a buscar o auxílio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Contudo, o avanço das doenças “invisíveis” – como transtornos mentais e condições crônicas de dor – tem transformado o perfil dos afastamentos. Os diagnósticos de ansiedade em Minas saltaram de 19 mil para 23 mil em apenas um ano, alta acima de 20%.
A professora Rachel Frizeiro, do Colégio Santa Maria Minas, é um exemplo de casos de profissionais forçados a se ausentar do ambiente de trabalho. Diagnosticada com fibromialgia – síndrome crônica caracterizada por dor muscular generalizada, fadiga, distúrbios do sono e cognitivos (memória/concentração) – ela precisou se afastar por dois meses após a doença atingir estágio crítico.
“Me levou ao limite de comorbidades. Precisei fazer troca de medicação e tive abstinência, depressão e ansiedade por conta da doença. Minha recuperação era solitária e somente o suporte dos médicos todos os dias”, relata Rachel.
Rachel já voltou a trabalhar, mas descreve o período de afastamento como um “deserto”, onde tarefas básicas do cotidiano se tornaram impossíveis. “Eu não conseguia controlar as necessidades fisiológicas dentro da própria casa. Ninguém entendia. Achavam que somente com minha fé e força de vontade bastava”, destaca.
Para muitos profissionais, o suporte só é encontrado em redes de apoio específicas. Rachel destaca que a melhora real só começou quando se uniu a grupos de autoajuda com outros pacientes que compartilhavam o mesmo diagnóstico. A professora conta que recebeu auxílio do INSS e da escola e conseguiu retornar à função após dois meses.
“Quando voltei ao trabalho, tive medo em voltar à estaca zero e ser incompreendida. Precisei me apoiar em algumas colegas de trabalho e me abrir sobre o que aconteceu e como eu precisava de ajuda no dia a dia”, afirma.
Dores na coluna e transtornos de ansiedade foram as causas mais frequentes de licença para o público feminino
O Ministério da Previdência Social informou que não possui o cruzamento dos casos com o perfil dos trabalhadores separados por unidades federativas. Em território nacional, os dados revelam distinções entre os gêneros.
Entre as mulheres, as dores na coluna e os transtornos de ansiedade foram as causas mais frequentes de licença. Já entre os homens, as fraturas de perna e tornozelo lideraram os motivos de afastamento, seguidas pela dorsalgia.
Do total de benefícios concedidos no país em 2025, a maior parte foi destinada ao público feminino, com 2,10 milhões de licenças, enquanto os homens somaram 2,02 milhões. O auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, é concedido após perícia médica para segurados impedidos de trabalhar por mais de 15 dias.
INSS: concessão do auxílio é precedida por uma perícia médica
O Auxílio por incapacidade temporária, antes conhecido como Auxílio-doença, é um benefício federal concedido ao segurado do INSS que comprove, em perícia médica, estar incapacitado de executar seu trabalho ou atividade laboral habitual por mais de 15 dias consecutivos, devido a uma doença ou acidente.
Em geral, a concessão do auxílio é precedida por uma perícia médica, que pode ser presencial ou realizada por meio da análise documental. A avaliação pericial poderá concluir tanto pela incapacidade temporária podendo gerar o Benefício por Incapacidade Temporária (Auxílio-Doença) ou a Incapacidade Permanente podendo gerar o benefício de Aposentadoria por Incapacidade Permanente (Aposentadoria por Invalidez).
Para solicitar o benefício, o trabalhador segurado do INSS pode acessar a plataforma meu.inss.gov.br ou ligar, gratuitamente, para 135.
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