
Não há dúvidas de que o Savassi Festival é, hoje, uma das principais plataformas dedicadas ao jazz e à música instrumental em Minas Gerais. Mais do que isso, o evento – que chega à 15ª edição em 2017 – segue capilarizando atividades em outras cidades, como Rio de Janeiro, consolidando um prestígio nacional e fomentando o intercâmbio musical entre estados brasileiros e outros países mundo afora. Neste ano, a potência da música instrumental mais uma vez se deságua por teatros, cafés, praças, bares e ruas da capital mineira, numa volumosa programação que começa nesta sexta-feira (18) e e vai até o outro domingo, 27 de agosto.
O principal destaque do 15º Savassi Festival é a cantora, compositora e violonista Rosa Passos. Ícone da Bossa-Nova, a baiana apresenta amanhã o show “Os 90 anos do grande maestro Tom Jobim”, em que executa as suas interpretações sobre a obra do maestro carioca – justamente o repertório que a tornou conhecida nos anos 1970.
“Tem 20 anos que tento trazer Rosa Passos. No primeiro festival, que acabou não acontecendo, ela estava na programação. Tê-la como headliner desta edição é muito gratificante”, afirma Bruno Golgher, idealizador e produtor do Savassi Festival. “No show, ela se apresenta junto aos incríveis músicos do Trio Corrente. Será um grande momento”, completa.
Golgher destaca, ainda, a homenagem ao acordeonista mineiro Célio Balona, que recebe hoje o “Prêmio Mastermaq Jazz de Minas”. “Célio Balona é fora de série. Um senhor de quase 80 anos com um gás de menino. Tem uma trajetória imensa, que justifica totalmente o prêmio. Sem contar que é sempre um prazer vê-lo tocar”, diz o produtor, lembrando que, à noite, Balona se apresenta no Teatro Sesiminas junto à Orquestra de Câmara do Sesiminas.
Outro ponto forte do festival é a consolidação da parceria com artistas israelenses. Nesta edição, se apresentam o saxofonista Oded Tzur e dois pianistas, o veterano Shai Maestro e o jovem Guy Mintus. “Há quatro anos, o festival traz atrações israelenses. São músicos fenomenais e é curiosa a reverberação que encontram junto aos brasileiros”, afirma Golgher, revelando a intenção de alastrar o festival também para Nova Iorque e Portugal.
“Já fizemos uma edição em Nova Iorque e queremos fazer outra, em 2018. No ano que vem Lisboa também está nos planos”, afirma, lembrando que a programação deste ano também conta com o português Eduardo Cardinho. Quanto à capilarização nacional, Golgher lembra que esta é a terceira edição em que o Savassi Festival acontece no Rio de Janeiro. Na capital carioca, o evento será realizado nos dias 23 e 24, com uma programação que inclui workshops e apresentações musicais.
Fomento à produção
Dentre as principais novidades desta edição do Savassi Festival está o Projeto Música Nova, que incide diretamente no fomento à produção de novas composições. Em 2017, quatro artistas foram convidados para criar obras comissionadas que terão suas respectivas estreias no festival: Juliana Perdigão, Fred Selva, Luisa Mitre e Rafael Martini. “O festival já vinha comissionando obras sinfônicas. Em 2014, o Rafael Martini compôs seu disco, que é incrível, por meio desse projeto”, relembra Golgher. “Mas, nesta edição, o programa cresceu. Quis dar oportunidade a pessoas mais jovens, que não têm produção tão ativa, como é o caso da Luísa Mitre”, afirma, citando a pianista cuja irmã, Natália Mitre (vibrafone), também se apresenta amanhã, junto à banda Semreceita.
Golgher conta que a intenção é, futuramente, criar um selo só com as obras comissionadas. “Isso parte de todo um esforço para que o Savassi Festival vá além dos shows. Queremos movimentar todos os elos da cadeia produtiva da música”, finaliza.
Serviço: 15º Savassi Festival. Desta sexta-feira (18) a 27 de agosto, em vários espaços de Belo Horizonte. Confira a programação completa em www.savassifestival.com.br.
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