
Em toda edição é a mesma cena: vários fãs vestidos com o uniforme de soldados imperiais invadem a escola Maria Modesta Cravo, no bairro Cidade Nova, assim que as portas se abrem para o início da convenção Jedicon Minas, realizada anualmente pelo Conselho Jedi Minas Gerais, dedicado aos cultuadores e estudiosos de “Star Wars”, uma das maiores franquias de ficção-científica do cinema.
Em sua quarta edição, o encontro dessa sábado (8) será envolvido pela expectativa da estreia, em dezembro, de “Star Wars: O Despertar da Força”, sétimo episódio da saga criada por George Lucas em 1977, que traz de volta personagens icônicos como Han Solo e princesa Leia. Apesar de, na telona, todo mundo torcer para os mocinhos, na convenção mineira a vitória parece ser dos vilões do Império Galáctico.
Um passeio pelos corredores da escola comprovará essa afirmação, com a maioria dos cosplayers preferindo usar as roupas do Stormtroopers, os soldados imperiais com seus característicos capacetes brancos. “Apesar de o fã-clube ter o nome dos jedis, temos poucos deles entre nossos membros”, lamenta Dani Aayla, que ocupa o principal posto do Conselho Jedi Minas Gerais desde 2005.

LEGENDA: Dani Aayla – Ela ocupa o principal posto do Conselho Jedi Minas Gerais desde 2005 (Foto: Arquivo Pessoal)
Pouco simpáticos
A preferência pelo mal, explica ela, se deve às roupas e maquiagens, que geralmente assustam a quem não conhece os personagens de “Star Wars”. Uma prova disso aconteceu em maio, quando um grupo mineiro de soldados imperiais foi destacado para participar de uma pegadinha do programa de Sílvio Santos, no interior paulista. “Eles são pouco simpáticos, por isso provocam esse tipo de reação”, explica Dani.
Mas os imponentes “soldados brancos” estão preocupados com o futuro deles na franquia, já que as primeiras imagens de “O Despertar da Força” revelam uma armadura completamente nova. Uma roupa dessas, de plástico, não sai por menos de R$ 1 mil e, ninguém vai querer ficar obsoleto. Outras novidades serão analisadas durante uma mesa de discussão especial.
Dubladores
A 4ª Jedicon Minas também terá a presença de dubladores brasileiros, como Mauro Ramos e Fernando Caruso. O primeiro, conhecido também por emprestar a voz ao ogro verde Shrek, dublou o general Grievous na série “The Clone Wars”. Já Caruso, que trabalha na TV como comediante, é um fã incondicional da saga, tendo integrado o primeiro clube criado no Brasil, no Rio de Janeiro.
“O Caruso sabe tudo de Star Wars. Quando foi chamado para dublar o agente Kallus, em Star Wars Rebels, ele chorou de emoção. Disse que faria qualquer papel, de Chewbacca (alienígena que é copiloto da nave Millenium Falcon, que fala aos urros) a um Stormtrooper que não abre a boca”, diverte-se Dani, que, por estar envolvida na organização do encontro, não poderá se fantasiar de combatente Secura.
Fã de MG confecciona ‘clones’ para os quatro cantos do país

MARCIANO GONÇALVES – Único artesão no Brasil a criar armaduras dos soldados imperiais de Star Wars (Foto: Flavio Tavares / Hoje em Dia)
A base brasileira dos stormtroopers está em Contagem, no bairro Eldorado. De lá saem, pelo menos, três novos “clones” para diferentes cantos do país. Fã da saga desde 1977, quando viu o primeiro episódio no extinto Cine Jacques, Marciano Gonçalves é o único fabricante das armaduras no país.
Quando começou a montá-las, em 2001, o cenógrafo imaginava que atenderia não mais do que meia dúzia de nerds. “Fiz um Darth Vader, de forma meio amadora, e fui com ela num evento em Belo Horizonte, o Anime Festival. As pessoas ficaram empolgadas e o negócio virou um hobby muito sério”.
A fidelidade em relação aos soldados originais foi reconhecida pelo fã-clube internacional 501st, que reúne apenas os adeptos dos personagens ligados ao Império Galáctico. “Com o tempo fui aperfeiçoando o design da armadura e hoje presto serviços para a Disney, que comprou a LucasFilm”.
Ele garante que suas roupas são baratas e mais práticas em relação ao material importado, produzidas com plástico de PVC com espessura de dois milímetros. “Eu já as adapto ao tamanho da pessoa, enquanto o que vem de fora, além de montar, é preciso lixar, cortar e até mesmo pintar”, compara.
Trabalho artesanal
Cada peça leva cerca de dois meses para ficar pronta, demora justificada pela produção artesanal. Enquanto na oficina de Marciano elas saem por R$ 1 mil, lá fora os preços chegam a R$ 1.800. “Trabalho para o fã nacional, pensando na realidade econômica daqui, mas a qualidade é a mesma”.
Ele já trabalha no molde de argila dos novos capacetes dos soldados imperiais, que ganharam nova roupagem no sétimo episódio. “Ficaram muito diferentes se comparadas com o modelo clássico, mas ainda assim remetem aos personagens”, salienta Marciano, que também estará presente no Jedicon Minas.
Mestre Yoda, Darth Vader e sabres de luz, tudo em origami

Origami – Camila Costa já fez Yoda de 60 centímetros e também miniaturas impermeabilizadas para bijuterias (Foto: Frederico Haikal/Hoje em Dia)
Em matéria de “Star Wars”, Minas Gerais tem outro título para comemorar: aqui se encontra o maior mestre Yoda (o jedi verde e baixinho que orienta Luke Skywalker) feito em origami, técnica japonesa de dobradura.
A autora da proeza é Camila Costa, que montou um Yoda de 60 centímetros, confeccionado com papel sanduíche e bastante fiel à imagem do jedi. A forma de fazer não é nenhum segredo. Tanto que ela ensinará cada passo durante o encontro.
“É preciso ter muita paciência. Da primeira vez que fiz, levei três horas. Mas agora já faço em 1h30. No total, são 59 passos e cada um deles tem, em média, três dobraduras”, explica Camila.
Oficinas
Para as crianças, há um diagrama mais fácil de montar, que são os sabres de luz, famosas espadas de laser usadas para os duelos realizados nos filmes. E para quem está do lado negro da força, a novidade será o Darth Vader.
“Quem fez pela primeira vez foi um argentino chamado Ignacio Smith. Seu método ainda não foi publicado, mas ele me deu autorização para reproduzir seu diagrama”, adianta a origamista.
Mas é Yoda o origami mais reproduzido na internet, podendo ser feito em tamanhos diversos. Os mais curiosos são os que cabem na palma da mão, que seguem o diagrama criado pelo japonês Fumiali Kawahata.
Bijuterias
Fã de “Star Wars”, Camila aprendeu a técnica em 2006 e hoje produz bijuterias com origamis impermeabilizados, vendidos através de sua loja virtual. Seu maior objetivo agora é recriar a nave Millennium Falcon.
A 4ª Jedicon Minas acontece neste sábado (8), das 10 às 18h, na Escola Municipal Maria Modesta Cravo (Rua Dr. Júlio Otaviano Ferreira, 1085, Cidade Nova). Entrada gratuita, mas serão aceitas doações de alimentos não perecíveis, fraldas geriátricas, agasalhos e ítens de bebês