
O MC Amilcka soube uma vez resumir bem o significado do funk: “é som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado”. Trata-se de um fenômeno cultural tão impressionante que ultrapassou os limites dos bailes e dos aparelhos de som para ganhar as salas de cinema. Prova disso é a mostra “Funk.DOC”, que ocupará gratuitamente a sala Professor José Tavares de Barros, no Sesc Palladium, de quarta-feira (28) a sábado (31).
Serão exibidos sete filmes que permitem um panorama amplo da evolução do funk ao longo de duas décadas. A mostra conta com “Funk Rio”, de Sérgio Goldenberg, realizado em um momento em que o gênero deixava de ser um som de gueto para ser conhecido em todo o Brasil, e outros documentários mais recentes, abordando especialmente o funk ostentação.
Há ainda “Favela On Blast”, dirigido pelo mineiro Leandro HBL e pelo americano DJ Diplo em 2008, abordando a relação entre o funk e as comunidades carentes do Rio de Janeiro. O ótimo documentário “Sou Feia mas Tô na Moda”, de Denise Garcia, foi cogitado para a seleção, mas a distribuidora do filme não o liberou para uma apresentação gratuita.
“Esses filmes são importantes para mostrar como o funk passou por mudanças ao longo do tempo e ampliou as temáticas. Abordou a pornografia, o tráfico de drogas e outros temas do ‘proibidão’, e agora vivencia o funk ostentação, que nasceu na baixada paulista e se disseminou na internet por ser um subgênero com produção audiovisual intensa. Se afirmou graças à força da linguagem do videoclipe”, explica a jornalista Débora Fantini, que assina a curadoria da mostra ao lado de Marcelo Reis, autor de “Esculacho”.
O sucesso na internet é tão grande que a grande mídia também se rendeu ao “som de preto, de favelado”. “Hoje você é capaz de ver um expoente do funk ostentação, o MC Guimê, com uma música na abertura de uma novela da Globo”, diz Débora.
Segundo ela, é difícil antecipar quem são as pessoas que vão se interessar pela mostra. “Pode ser que venham pessoas que se interessem pelo fenômeno, mesmo que não gostem da música, como também aqueles que gostam dos bailes, que vivem essa realidade, e desejam saber como os cineastas estão os retratando”.
Mostra “Funk.DOC” na sala Professor José Tavares de Barros – Sesc Palladium (av. Augusto de Lima, 420). Gratuito.
Confira a programação
“A Batalha do Passinho – O Filme” (2012), de Emílio Domingos
Um fenômeno que revela como a cultura do funk se expandiu para além dos bailes, DJs e favelas.
Na quarta-feira (28), às 19 horas; sexta, às 21 horas;
“Esculacho” (2013), de Marcelo Reis
Um filme sobre a popularização de dispositivos sonoros portáteis, o desconhecimento de espaço público e o funk.
Na quarta-feira, às 21 horas; sábado às 17 horas;
“Favela On Blast” (2008), de Leandro HBL e Wesley Pentz
Um retrato da cultura em torno do funk carioca através do registro das interações humanas, linguísticas e estéticas no cotidiano das comunidades carentes do Rio de Janeiro.
Na quarta-feira, às 17 horas; sexta, às 19 horas; sábado, às 21 horas;
“Funk Ostentação” (2013), de Konrad Dantas e Renato Barreiros
Correalizado pelo maior produtor de videoclipes do gênero, o documentário revela as opiniões dos principais MCs que cantam o funk que ostenta carros, joias e mulheres na periferia de São Paulo.
Na quarta-feira, às 21 horas; sábado, às 17 horas;
“Funk Ostentação: O Sonho” (2014), de Sidney Mariano
Documentário acadêmico conta a história do funk no Brasil e sua chegada a São Paulo. A principal ideia do trabalho é contar a influência do ritmo para os jovens da periferia.
Sexta, às 17 horas;
“Funk Rio” (1994), de Sérgio Goldenberg
Documentário precursor, que completa 20 anos. Explora o universo do funk carioca, suas ligações com a marginalidade, a música e a dança de uma tribo que criou no isolamento um código estético e cultural.
Na quarta-feira, às 20 horas; sábado, às 19 horas;
“90 dias com Catra” (2010), de Rafael Mellin
Episódio piloto produzido pela Mellin Vídeos/Grupo Sal sobre a rotina do operário do funk Mr. Catra. O vídeo possui quase 6 milhões de visualizações no YouTube.
Sexta, às 17 horas.