
Sim, dá para ter uma noção do quanto a tarefa deve ter sido hercúlea: selecionar 400 fotos em meio a um manancial de 4 mil cliques, para gerar o livro de mesa “Roberto” (Toriba, R$ 249), apresentado como o “mais completo álbum de fotos do rei”, aprovadas por ele. Desafio ainda maior quando se pondera o personagem em questão: ninguém menos que o “rei” Roberto Carlos.
Bem, ao produtor Carlos Ribeiro foi delegada a missão à qual ele encarou com galhardia. E cujo ponto final veio coroado pelo convívio com o ícone. “O mais marcante (da empreitada) foi esse contato com o Roberto ‘pessoa física’, digamos assim. Ele é um cara extremamente simples, um grande contador de histórias. E são histórias incríveis. Espero que em breve ele conte essas passagens de sua vida na biografia que está trabalhando. Fico pensando em como deve ser difícil, sobre-humano até, uma pessoa com a história dele lidar com o próprio ego”, aventa.
Ribeiro lembra que é comum vermos na mídia, diariamente, pessoas que buscam desesperadamente seus minutos de fama “agirem com extrema arrogância em situações de contato com outras pessoas”. E Roberto, assegura, consegue manter-se uma pessoa simples, humana, respeitosa, mesmo tendo conquistado tudo o que conquistou.
“Roberto” já está disponível nas principais livrarias de todo o país– alguém aí pensou em presente de Natal? Bem, para compor as 384 páginas do livro, foi coletado um banco de 4 mil imagens e objetos que nem o RC sabia onde estavam, além de materiais guardados por fãs de toda parte. Entre os achados, uma letras de música escrita num guardanapo de papel; um setlist de show escrito de próprio punho por Roberto Carlos, e muito mais. Cumpre dizer, foram nada menos que quatro anos de trabalho.
“É claro que quando terminamos algo, e quando fazemos uma avaliação apurada do resultado, normalmente vemos uma ou outra coisa que poderia ser diferente, melhor. Mas gosto muito, de maneira geral, do resultado”, avalia Ribeiro, acrescentando que o que ficou de fora pode um dia ser disponibilizado em site. “É uma boa sugestão”.
Quanto à cereja do bolo... “Seguramente, a imagem do primeiro programa de auditório em que o Roberto se apresentou”, dispara, sem titubear.
‘RC é um apaixonado por fotografias’
Para Ribeiro, Roberto Carlos parece ser alguém que vive em muita paz com seu passado e que não “encana” com o futuro. “Ele sempre foi muito aberto. Explicava o que não gostava nas imagens. Às vezes, dizia que não sabia o que era, exatamente, mas havia algo que o incomodava”. Posteriormente, descobria o que era. A foto que mais emocionou o Roberto foi uma da Maria Rita (com quem foi casado) que não conhecia. “Ela está belíssima na imagem. Ele se emocionou muito e chegou a chorar quando viu a foto no livro. É a foto que está na página 130”.
No geral, RC acompanhou cada movimento. “Pediu determinados retoques, excluiu imagens que para nós eram significativas, mas para ele não. Concordou com muitos dos nossos argumentos e deixou permanecer fotos com as quais não simpatizava muito. Enfim, foi uma surpresa até saber que ele conhece muito e é um apaixonado por fotografia – contraste, retícula, Photoshop são técnicas que conhece bem”. Para o produtor, conquistar a confiança de RC foi um desafio. “É evidente que um artista com tamanha projeção é procurado diariamente por pessoas com todo tipo de objetivo. Ainda mais hoje, com tanta gente buscando espaço na mídia. Meu propósito foi criar e produzir um belo livro, que deixasse feliz ele e fãs. Não sei se consegui. Mas me sinto feliz por ter feito parte desse projeto”.