
Ano passado, o Centro Cultural Banco do Brasil realizou o projeto “Ernesto Nazareth: 150 Anos Depois”, com várias apresentações de importantes nomes da música popular brasileira – entre eles, o pianista Antonio Adolfo. O show em que ele misturou a música de Nazareth com a linguagem do jazz lhe empolgou de tal forma, que decidiu transpor o repertório para o álbum “Rio, Choro, Jazz...”, recém-lançado em vários países pelo selo AAM.
Gravado com músicos renomados, como o baixista Jorge Helder e o percussionista Marcos Suzano, o álbum apresenta nove composições de Nazareth – entre elas a popular “Tenebroso” – e uma homenagem de Antonio Adolfo para o homenageado, a faixa que dá nome ao disco.
“Sempre toquei Nazareth em meus shows, especialmente quando eram apresentações solo e eu tinha uma maior liberdade para mudanças na harmonia e no ritmo das composições”, afirma Antonio Adolfo. “Quando apareceu a oportunidade do CCBB, escolhi fazer Nazareth de maneira jazzística. Passei três meses trabalhando o repertório. Foi um desafio trazê-lo para o universo jazzístico”.
Adolfo buscou investir em um repertório diferente de seu primeiro trabalho dedicado ao autor: “Antonio Adolfo Abraça Ernesto Nazareth”, lançado em 1981, seu quinto disco lançado de forma independente – gravado num bom estúdio da Polygram em troca de trabalhos como arranjador para a gravadora.
Infância
De acordo com o pianista, seu contato com a música de Nazareth (1863-1934) teve início ainda na infância, graças à influência da violinista Yolanda Maurity, que atuava na Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
“Os colegas de orquestra da minha mãe se reuniam em saraus na minha casa e tocavam muito choro, em especial, Nazareth. Mais tarde, quando já tocava piano, comecei a ouvir as músicas mais famosas dele, como ‘Apanhei-te, Cavaquinho’ e ‘Brejeiro’”, lembra Adolfo, que enxerga em Nazareth o grande difusor do jeito brasileiro de se tocar piano.