“Capital das HQs”

'Abrasileirado' e lotado de talentos, Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) movimenta BH

Com entrada gratuita, o FIQ segue até domingo (8) no Minascentro

Leandro Alves*
@leandroalves04
Publicado em 06/11/2026 às 17:02.Atualizado em 06/11/2026 às 17:48.

Lotado e "abrasileirado". Assim pode ser definido o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), no Minascentro, em Belo Horizonte. Com entrada gratuita, o FIQ segue até domingo (8). Oficinas, exposições, exibição de filmes, sessões de autógrafos e duelos de quadrinistas em tempo real transformam BH na “capital das HQs”. 

O público poderá conhecer o trabalho de 400 quadrinistas vindos de 25 estados do Brasil, além do Distrito Federal. Um deles é o manauara Gianlucca Motter, de apenas 9 anos. “É preciso de muito talento para fazer um quadrinho”, disse o autor da história “Super Amarelo”, que já planeja o volume dois da história. 

De acordo com o artista, a narrativa saiu direto da imaginação e não contou com inspirações. Quem ajuda no trabalho de divulgação é o pai e também quadrinista, Geovan Motter, de 33 anos. 

“Eu comecei a publicar meus quadrinhos em 2018, com a história ‘Totó’, uma HQ inspirada no meu cachorro. Daí ele (Gianlucca) foi vendo as coisas, começou a se interessar e me pediu para publicar uma história”, relatou Geovan. Segundo o ilustrador, ele apenas digitaliza os desenhos do filho e dá os retoques finais para a publicação.

A dupla faz parte de uma comitiva amazonense que trouxe outros 33 autores. “É importante ter essa troca, mostrar a nossa identidade e trazer várias histórias diferentes para o público geral e para o público mineiro, que a gente adora”, declarou Sâmia Leitão, uma das organizadoras do grupo e do estande “Quadrinhos da Amazônia”. 

Fábio Yabu e o mercado de quadrinhos

Co-autor da história em quadrinhos Ordem Paranormal, o cronista e quadrinista Fábio Yabu, de 47 anos, também esteve presente no evento. Segundo ele, o contato com o público jovem é essencial. “A minha geração foi criada a quadrinhos vendidos em bancas, então você  tinha que ir até uma. Muitas cidades nem tinham uma banca. De uns anos pra cá, com eventos como a FIQ, o público tem conhecido os artistas, se interessado por ler e fazer quadrinhos”, declarou o artista. 

Mesmo acostumado com o mundo das HQs, Yabu - que é quadrinista desde 1998 - diz que “todo mundo está no mesmo ponto”.  Conforme ele, o mercado está em crescimento. “Tá todo mundo tentando viver da sua e tentando melhorar o mundo a sua maneira”, afirmou.

Público jovem

Neste ano, cerca de 3 mil estudantes do ensino infantil, fundamental, médio e EJA receberam vale-livros. Ao longo do evento, o voucher pode ser trocado por quadrinhos, livros e outros materiais de leitura. 

Segundo Gabriela Santoro, diretora-presidente do Instituto Periférico, os quadrinhos são uma porta de entrada para a leitura. “É uma comunicação muito visual, são textos mais lúdicos, mais criativos, então isso ajuda muito nesse processo”, declarou. 

Serviço:
Até 8 de novembro
Local: Minascentro - Rua Guajajaras, 1022
Sábado, de 9h às 21h, e domingo, de 9h às 19h
Classificação: livre
Entrada gratuita

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