Alunos viajaram ao século XIX e conheceram a histórica caneta-tinteiro

Émile Patrício - Hoje em Dia
Publicado em 16/11/2013 às 09:43.Atualizado em 20/11/2021 às 14:11.
 (Carlos Rhienck)
(Carlos Rhienck)

Em tempos de leitura e escrita em computadores e tablets, muitas crianças que já nasceram na era tecnológica nem sequer imaginam como os antepassados desenvolviam a escrita. O trabalho e o capricho das canetas tinteiro foram conhecidos de perto pelos alunos do 3° ano B do Colégio Logosófico González Pecotche. Foi com o objetivo de resgatar o passado que a professora Tânia Ferreira apresentou curiosidades sobre a história da escrita e como os instrumentos se modernizaram ao longo do tempo.

A professora levou canetas-tinteiro de sua coleção particular e os alunos tiveram a oportunidade de escrever com elas. Muitos, pela primeira vez, usaram um objeto tão antigo. Outros, já conheciam as relíquias pela influência dos avós. Mas todas as crianças, sem exceção, ficaram entusiasmadas e puderam brincar e desenhar com as canetas, verdadeiros objetos de colecionador - a primeira caneta deste tipo foi criada em 1884.

O trabalho foi concluído com a leitura do livro “A caligrafia de Dona Sofia”, de André Neves (Editora Paulinas).

“Nos Estados Unidos, por exemplo, dois estados já aboliram a letra cursiva. Todos os trabalhos e anotações são feitos em computadores. As salas de aula do futuro serão com tablets e computadores. Cada vez menos está se fazendo o uso da caligrafia nas escolas. Nessa turma, de 8 e 9 anos, os alunos já entregam pesquisas digitalizadas”, explica a professora Tânia.

Antigamente, porém, não era assim. Para se escrever com a caneta tinteiro havia de necessidade levar na pasta escolar um vidrinho de tinta para recarregá-la. A caneta tinteiro tinha seus caprichos por exigir delicadeza na escrita, mas alfabetizava alunos com uma caligrafia invejável.

A professora responsável pela turma, Maria Natália, conta também que o trabalho deixou as crianças mais interessadas em suas próprias letras. “Muitos passaram a notar sua escrita e embelezaram seus cadernos. A atividade despertou o interesse deles para a forma de traçar as palavras. Agora todos querem ter letra bonita”, conta Maria Natália.

Suavidade é a dica para escrever bem

O contato com a caneta-tinteiro fez com que Bianca Haddad Faria, de 8 anos, lembrasse que em sua casa havia uma guardada. Ela achava que a caneta de antigamente era feita só de pena. “Não conhecia a história da evolução delas. Aí me lembrei que na minha casa havia uma caneta desse tipo. Quis escrever com ela e, logo na primeira vez, eu a estraguei”.

Bianca descobriu que não se pode colocar força para escrever com este instrumento, que é como uma delicada obra de arte.
“Não se pode forçar, temos que escrever de forma delicada para não quebrar a ponta e também não pode colocar muita tinta para não manchar o papel. Agora já sei como se faz”, diz Bianca, que passou a gostar mais de escrever. “Fico comparando como minha letra era antes. Acho que está mais bonita agora”.

Meninos mais atentos com a própria letra

Gabriel Amoêdo Ribeiro, de 9 anos, é um dos que melhoraram a letra depois da aula com as canetas tinteiro. Seu amigo, Pedro Nogueira de Carvalho, de 8 anos, foi quem notou a diferença. “Outro dia fui copiar um trabalho da agenda dele e não conseguia entender nada. Agora, ele está mais cuidadoso e com a letra bem melhor”, contou Pedro.
Além de melhorar a letra, Gabriel ressalta o cuidado para escrever com este tipo de caneta. “Causa muita sujeira, tem que ter muita atenção para não sujar a mão, a roupa ou a carteira”.

“No computador tudo fica igual, não tem graça”

Júlia Sena Rocha, de 9 anos, já estava habituada. Sua avó fazia caligrafia artística em convites de casamentos e aniversários com caneta-tinteiro e ela já praticado e aprendido um pouco. Assim, ao contrário de muitos meninos e meninas, ela prefere escrever de caneta e de forma cursiva.
“No computador a escrita de todo mundo fica igual, não tem graça. Melhor é a gente poder diferenciar as letras das pessoas”.

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