Os Los Hermanos conquistaram, ao longo de mais de 15 anos, uma verdadeira legião de fãs e, com o hiato vivido pelo grupo desde 2007, a espera pelo primeiro disco solo de Rodrigo Amarante era grande. Agendado, inicialmente, para maio deste ano, o rebento atrasou, mas já pode ser ouvido e baixado pela internet (link abaixo). Amarante segue, em "Cavalo", uma receita muito parecida com a que seu parceiro Marcelo Camelo usou em "Sou", de 2008, e "Toque Dela", de 2011. São 11 faixas, sendo quatro em inglês e uma em francês - marca registrada na sua obra, que o músico atribui a "um inesperado, porém muito bem-vindo exílio".
Introspectivo na maioria de seus 37 minutos, "Cavalo" bem que poderia se chamar "Camelo", pelo andamento que mais lembra o passo do ruminante do que o galope do equíno. De qualquer forma, é evidente a evolução de Amarante no quesito composição, bem como nas letras, em que a poesia toma o lugar da temática universitária que marcou os Los Hermanos, principalmente na sua primeira fase.
Na carta em que apresenta o disco, postada pelo próprio músico no seu perfil do Facebook, Amarante fala sobre "desvios" e "invenções", "vazio" e sonho". Enquanto o CD original não chega, seu conteúdo por enquanto só está disponível para download, ficamos devendo a ficha técnica completa, mas no primeiro show da turnê, hoje à noite, em São Paulo, ele será acompanhado por Gabriel Bubu (baixo, guitarra, teclado, percussão e voz, da banda de apoio dos Los Hermanos), Gustavo Benjão (guitarra, baixo, MPC, percussão e voz), Lucas Vasconcellos (teclado, MPC, percussão e voz) e Rodrigo Barba (bateria, dos Los Hermanos).
Em entrevistas aos jornais "O Globo" e "Folha de São Paulo", Amarante fez questão de frisar o lado independente de "Cavalo", uma independência em relação aos Los Hermanos, e justificar a estética mais desnuda do disco. "Queria criar um novo espaço", disse ele, se referindo à descoberta de uma sonoridade exclusivamente sua. "Este primeiro disco eu fiz totalmente livre", declarou, contando que as sessões de gravação ocorreram em espaços vazios, como uma garagem e um galpão.
Obviamente, que "Cavalo" vai despertar nos fãs um deslumbramento, afinal Amarante nunca esteve tão próximo de seu ouvinte, como nas faixas sussurradas do disco, e nem tão acessível, no que tange à abordagem autobiográfica de todas as músicas. Já quem ouve o título com um intuito mais crítico vai perceber as limitações técnicas da produção, além do tom imperativamente contemplativo - que pode tanto encher o saco como fazer dormir. Para o bem ou para o mal, é um lançamento que merece ser conferido.