
Quando o empresário sugeriu a Ângela Maria que gravasse um disco de voz e um instrumento, a cantora não gostou da ideia. Ela, que nunca havia feito um trabalho tão minimalista, imaginou que os fãs não gostariam. “Decidi experimentar primeiro no palco, para ver se era do gosto dos meus fãs. Fizemos uns shows em São Paulo e foi um grande sucesso”, conta a artista, que acabou realizando o disco “Ângela à Vontade em Voz e Violão”, cujo show ela traz para o Teatro Bradesco, sexta-feira, dentro do projeto “Uma Voz, Um Instrumento”.
Além do público, Ângela também gostou da nova experiência. “Estou mais à vontade no palco, brincando com a plateia, contando histórias”, diz a cantora de 87 anos, que ainda faz uma confissão. “Bom que, quando eu erro, posso parar tudo, pedir desculpas, brincar e voltar do zero. Com banda grande ou orquestra, não se pode errar”.
O show conta com algumas músicas que foram muito marcantes na voz de Ângela, como “Babalu”, e também clássicos da MPB, como “Só Louco” (Dorival Caymmi), “Esse Cara” (Caetano Veloso), “O Portão” (Roberto Carlos) e “As Rosas não Falam” (Cartola).
Cuidado
Em um show com esse formato, a voz fica ainda mais evidente para a plateia. Se Ângela pode se expor após mais de 65 anos de carreira, é porque teve cuidado com o instrumento de trabalho desde sempre.
“Não abuso da minha voz, não abuso de mim mesma. Não saio de madrugada, não bebo gelado, não bebo (bebida alcoólica), procuro me alimentar bem. Só saio de casa para cantar ou ver a estreia de um amigo. Recentemente, fui ver a Bibi Ferreira”.
Ela garante que esse cuidado vem desde a juventude, mesmo nos tempos em que era uma das cantoras mais populares do país. “Tive muito trabalho na juventude. Trabalhava a semana inteira e não tinha tempo para farra. A vida era dormir pouco e viajar muito”, lembra.
Sobre o amigo Cauby Peixoto, com quem dividiu palco na última vez em que esteve em BH, ela comenta: “Não caiu a ficha, não quero acreditar que ele está morto. Foram 67 anos de amizade sincera”.
Ângela Maria no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244), sexta-feira (8), às 21h. R$ 160 e R$ 80 (meia)