
O ator Walmor Chagas morreu nesta sexta-feira (18), aos 82 anos, na casa em que morava em Guaratinguetá, região do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo. A causa da morte foi um disparo na cabeça, segundo a Polícia Civil. Chagas morava no interior havia muitos anos, num hotel-fazenda chamado Sete Nascentes, no bairro das Pedrinhas.
A polícia foi chamada depois que funcionários do local encontraram o corpo. A região onde fica o hotel-fazenda está na encosta da serra da Mantiqueira, um lugar de difícil acesso, sem serviço de rádio e telefone.
Segundo informações da polícia, um delegado do 2º DP e investigadores de plantão estão no local. Como a comunicação com a equipe é difícil, não há mais informações sobre o caso até o momento.
Nascido em Porto Alegre, o ator estreou com uma pequena participação num episódio do "Grande Teatro Tupi", da TV Tupi, em 1953. No cinema, estreou em 1965, em "São Paulo S/A", de Luís Sérgio Person. Seu último papel havia sido no filme "Cara ou Coroa", de Ugo Giorgetti.
Na TV, participou de novelas como "A Favorita", "Pé na Jaca", "Esperança" e "Selva de Pedra", na Globo, e "Caminhos do Coração", na Record.
Chagas foi uma das estrelas do TBC, o Teatro Brasileiro de Comédia - uma das referências de arte dramática no país nos anos 50 e 60 -, ao lado de Cacilda Becker, com quem se casou e teve uma filha.
Em sua última peça, Walmor Chagas debateu o suicídio
A última peça de teatro estrelada e escrita por Walmor Chagas debatia o suicídio. Com o título "Um Homem Indignado", o espetáculo entrou em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil em 2005, tinha direção de Djalma Limongi Batista e traços autobiográficos. Na época, Walmor estava com 74 anos.
Na época, em entrevista à Folha de S.Paulo sobre a peça, o ator disse: "Nós estamos indo para o abismo. Quem se atirou do décimo andar, por mais que vá passar pelo oitavo, acha que está tudo bem. O Velho sabe que está tudo mal e que irá se esborrachar."
O texto fazia críticas à excessiva reprodução de imagens na sociedade contemporânea, com menção a programas televisivos como os reality shows.
O crítico de cinema Rubens Ewald Filho, ao ver o espetáculo, encomendou ao diretor Limongi Batista um livro biográfico baseado em longa entrevista com Walmor, lançado pela coleção Aplauso com o título "Ensaio Aberto para um Homem Indignado" (Imprensa Oficial).
Para Ewald, o livro e a peça faziam "uma contemplação ao suicídio".
(Atualizada ás 23h38)