Araxá recebe 23º Encontro Sesi de Artes Cênicas

Miguel Anunciação - Hoje em Dia
Publicado em 29/10/2013 às 09:01.Atualizado em 20/11/2021 às 13:43.
 (João Lima )
(João Lima )

ARAXÁ – Fazer sucesso graças a composições alheias talvez não seja o que muitos artistas da música mais gostariam de conseguir na vida, mas "Música de Brinquedo" é um sucesso inegável. Um projeto que completa quatro anos, rendeu dois CDs (de estúdio e ao vivo), um DVD, e o número de shows que os êxitos na música costumam realizar.

O show "Música de Brinquedo" trouxe o Pato Fu para duas apresentações pelo 23º Encontro Sesi de Artes Cênicas, que programa diversas atividades, todas gratuitas, até 1º de novembro (confira no Fiemg.com.br). Inclusive para a abertura de sexta-feira (25), uma sessão exclusiva para convidados. Aberta ao público, a sessão de sábado (26) levou bastante gente ao simpático Centro Cultural Calmon Barreto, onde existiu uma estação de trem inaugurada pelo presidente Arthur Bernardes.

Bastante gente feliz e entusiasmada: crianças e adultos cantaram, dançaram e aplaudiram calorosamente o repertório (a porção nacional, sobretudo) do show. Embora se diga por aqui que o público de Araxá não costume se empolgar por qualquer coisa. Pelo contrário, seria conhecido pela falta de entusiasmo, pelo recato nos modos. Não foi o que se viu no domingo.

A inequívoca empatia do repertório e dos arranjos, supostamente realizados só com instrumentos de brinquedo, a graça dos bonecos do Giramundo, manipulados no fundo palco, e a simpatia de John Ulhoa ao se comunicar com a plateia justificavam a popularidade. Ainda que Fernanda Takai mantivesse um semblante de mãe severa – daqueles que sugerem reprimendas em casa mesmo quando não emite palavras –, não colaborasse com o clima up.

Lei do silêncio

A demora em desfazer o palco do Patu Fu prejudicou a Sem Limites pra Sonhar, desmotivou boa parte do público presente a continuar esperando a atração seguinte. Inclusive porque, dizem, a Lei do Silêncio local não permite decibéis mais festivos após as 23 horas.

Como começou seu show uma hora após o previsto, a banda liderada por Rodrigo Torino teve que limar repertório e intervalos entre uma música e outra. Apesar disso, Rodrigo, Tiago Araújo, Maurício Ribeiro, Rafael Azevedo e Gustavo Grieco são músicos de primeira, emprestavam ali seus talentos a um repertório romântico dos anos 80. São capazes de muito mais. Por isso, sacudiram o público, ansiosos por bem mais que os limites de silêncio não permitiram.

Palpite infeliz

Escalado também no sábado, "Subo Para Não Esquecer o que de Baixo Já Não Consigo Ver", é um palpite infeliz, infelizmente. Dirigido por Carlos Canela, o cortejo de rua é uma mescla de muito que já vimos nos espetáculos de abertura do FIT-BH, uma ambição mal sucedida de ser grandiosa e impactante. Oito atores em figurinos não situados em época ou lugar postos à frente (e acima) de um caminhão também paramentado, enquanto a trilho sonora é executada em tons bastante elevados.

O que pretendem jamais fica claro, ainda que recorram a um texto, uma movimentação expressiva (que utiliza recursos circenses) e constantes projeções em vídeo – a projeção de tantas imagens, aliás, expõe que os atores, a "dramaturgia" não consegue informar. Sem evoluir nem plasticamente, nem narrativamente, sem conseguir dizer ao que veio, a encenação segue por mais de 1h30. Dela, só é possível apontar de positivo a música sugestiva de Sérgio Pererê, o empenho evidente do elenco e o quanto alguns momentos se prestam a fotografar.


* Viajou a convite do Encontro Sesi de Artes Cênicas

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