Ayran Nicodemo lança álbum de música cigana em BH

Cinthya Oliveira - Hoje em Dia
Publicado em 11/05/2014 às 11:51.Atualizado em 18/11/2021 às 02:31.
 (Gilson Oliveira)
(Gilson Oliveira)
Ayran Nicodemo não sabe dizer ao certo como foram seus primeiros contatos com a música cigana. Logo que ganhou o violino do pai, aos 12 anos, e aprendeu a improvisar, suas brincadeiras com o instrumento já soavam como diálogos com a produção musical do Leste Europeu. “Esse estilo sempre esteve dentro de mim, de forma inerente. Depois, com estudo mais aprofundado, é que passei a conhecer melhor”, afirma o violinista belo-horizontino, que acaba de debutar no mercado fonográfico com o álbum “Pedra Cigana”. 
 
Produzido por Sergio Ribeiro de Oliveira (que já foi indicado duas vezes ao Grammy Latino em categorias de música clássica) e realizado com recursos próprios, o trabalho apresenta sete composições de Ayran com violino solo, além de uma releitura de “Hora de La Munte”, do folclore tradicional romeno. 
 
O primeiro disco é apenas uma das novidades na vida deste músico de 25 anos de idade. Este ano, Ayran Nicodemo deu um passo bastante importante em sua carreira como músico erudito. Após atuar na Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFMG e na Orquestra Sinfônica Jovem (onde foi spalla e chefe de naipe), o músico acaba de integrar a concorrida Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio.
 
“Quando estudava na UFMG, pensava em conduzir minha carreira para a música popular. Mas tudo mudou depois que transferi o curso para a Uni-Rio e passei a estudar com o professor Paulo Bosisio. Passei a investir mais no erudito, mas sem deixar a música popular”, diz o violinista, que foi o vencedor do 1º Concurso Jovens Solistas da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, realizado em 2010. 
 
Além disso, ele prepara o primeiro álbum do Ayran Nicodemo Trio – com o violonista Juliano Camara e o baterista Nando Meneses –, que terá composições autorais que buscam um diálogo entre as músicas brasileira e do Leste Europeu. A previsão é que o disco seja lançado no segundo semestre deste ano.
 
Além de se preparar para a formatura na Uni-Rio, Ayran ainda encontra tempo para participar de outros projetos, como o grupo de câmara GNU (que lançou o primeiro disco “Cartas de Amor” no ano passado) e o projeto infantil e autoral CRIA, em que seis artistas se propõem a colocar os pequenos em contato com uma música de maior consistência instrumental. 
 
“Como os ensaios da orquestra normalmente acontecem pela manhã e há um calendário bem antecipado das apresentações, é possível se planejar”, garante.
 
O começo
 
Quando tinha 11 anos, Ayran foi ao Festival de Inverno em Ouro Preto com seu pai e assistiu a um concerto do violinista Edson Queiroz de Andrade, integrante da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. A paixão foi tão instantânea que logo disse que desejava tocar violino. Foram meses de insistência até ganhar seu primeiro instrumento. 
 
Começou seus estudos efetivamente aos 13 anos, mas só passou a encarar o violino como um instrumento de trabalho após ter aulas em um curso de extensão da UFMG com o homem que havia tanto lhe inspirado, Edson Queiroz. “Com ele, aprendi toda a base, ele me passou todo o esqueleto da técnica do violino. Foram cinco anos de aprendizado com ele, entre curso de extensão e graduação”. 
 
Ao se mudar para o Rio de Janeiro, passou a ser pupilo de Paulo Bosisio, que dedicou sua carreira totalmente ao ensino e difusão do instrumento no Brasil. 
 
Para chamar a atenção para seu trabalho – tanto erudito, quanto popular –, Ayran teve a ideia de realizar uma semana de concertos (entre amanhã e domingo) no campus Praia Vermelha, da Uni-Rio. Além das músicas do recém-lançado “Pedra Cigana” e de seus outros projetos, ele vai interpretar ainda composições de Mozart, Bach, Tchaikovsky, Hermeto Pascoal, Edu Lobo e outros gênios. 
 
Um contato com o público que lhe poderá mostrar indicações para novas possibilidades de criação. “Comecei a trabalhar outras influências e quero me abrir para uma nova fase. Sinto que estou experimentando a influência que tenho do choro, da música mineira e do Clube da Esquina, do Uakti e da música contemporânea. O disco do Ayran Nicodemo Trio já vai ter os aspectos dessa nova fase de composição”, diz.
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