
No fim da década de 1970, a pernambucana Banda de Pau e Corda chegou a Belo Horizonte para um show no auditório da Faculdade de Ciências Econômicas (Face) da UFMG e, “para nossa surpresa, foi um estrondo”, lembra Sérgio Andrade, fundador do grupo que está completando 50 anos.
“A pedido dos estudantes, fizemos uma segunda noite. Desde então, sentimos um carinho muito grande do povo mineiro pelo nosso trabalho. A gente considera Minas Gerais a nossa segunda casa”, registra Andrade. Nesta sexta (9), no palco do Teatro do Minas Tênis Clube, às 21h, eles fazem o primeiro show pós-pandemia em BH.
O retorno é marcado por novidades, com o lançamento do álbum “Missão do Cantador” (Biscoito Fino), o primeiro de músicas inéditas após três décadas. O integrante, único remanescente da formação original, adianta que o show misturará as canções mais emblemáticas do grupo com músicas do mais recente trabalho.
A efeméride dos 50 anos coincide com um momento de renovação de público, após a Sony disponibilizar os primeiros discos do Pau e Corda, quando o grupo se destacou ao combinar ritmos nordestinos com poesia e ganhou fãs como o escritor Ariano Suassuna e o sociólogo Gilberto Freyre, autor da apresentação do álbum de estreia.
“Com esse relançamento, muita gente que não conhecia os trabalhos anteriores passou a conhecer a banda na sua totalidade, desde o primeiro disco”, destaca Andrade, grande responsável por não deixar a banda perder a essência de sua proposta, quando três irmãos e um primo a fundaram em 1972.
Essa preocupação cimenta “Missão do Cantador”, que traz parcerias com Chico César e Zeca Baleiro. “Queríamos que esse disco tivesse a mesma sonoridade que a gente sempre teve. A gente mudou em diversas ocasiões, o que é uma coisa muito natural, né? Mas chamamos gente para dar continuidade àquilo que iniciamos”.
Essa relação com a rica trajetória do grupo tem o dedo de José Milton, produtor que gravou os sete primeiros LPs do Pau e Corda. “Foi ele quem lançou fonograficamente a banda no mercado brasileiro. Sabíamos que ele, mais do que ninguém, saberia tirar essa sonoridade que queríamos”, assinala.
Feliz com o resultado do trabalho, Andrade, que tinha 16 anos quando a banda foi formada, afirma que cada faixa do álbum traz uma identificação imediata “com aqueles vocais que sempre nos caracterizaram”, construídos de uma forma intuitiva, segundo ele. “É uma crônica que fazemos de nossa vivência”.
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