Banda Pássaro Vivo faz passeio por ritmos brasileiros e rock setentista

Jéssica Malta
Publicado em 19/08/2019 às 09:03.Atualizado em 05/09/2021 às 20:03.
 (Larissa Dardania/Divulgação)
(Larissa Dardania/Divulgação)

É com uma sonoridade diversa, que bebe da fonte do rock dos anos 60 e 70, da música mineira e dos ritmos do Norte e do Nordeste, que a banda Pássaro Vivo apresenta seu trabalho de estreia “Sobre Asas e Raízes”. “É um disco que flerta muito com a MPB, com a psicodelia”, explica o vocalista Lucas de Paula.

A influência no período que abrigou também movimentos como a Tropicália – outra inspiração presente no disco – é explicada pelo próprio contexto atual do país. “No início a banda era bem comportadinha. Mas com as coisas que foram acontecendo no Brasil a gente acabou precisando incorporar outras questões artísticas como uma forma de resistir”, conta o vocalista. 

Para ele, o reflexo de questões políticas na arte é importante. “Temos essa luta pelo autoconhecimento, pela evolução interior e acreditamos que isso pode ser alcançado pela cultura”, destaca. 

Apesar das influências no contexto, o disco também lança um olhar para temáticas pessoais e discorre sobre questões humanas como a perda, a dor e o desapego. “Trazemos uma poesia que fala do cotidiano, mas de uma maneira profunda. Falamos de questões existenciais”, diz o músico.

A intenção é provocar identificação do público com as canções. “Às vezes não estamos falando sobre algo em específico, mas, por tratarmos de coisas que acontecem com todo mundo, quem está ouvindo acaba pensando que a música está conversando com ele”, diz. 

Assim, o álbum busca levantar reflexões. “Trabalhamos esses temas de maneira profunda, para que quem escute passe por um processo de elaboração das questões tratadas no álbum”, pontua. 

A opção por um álbum mais curto – são sete faixas no total – também tem como justificativa a intenção de provocar sentimentos no público. “A gente tinha outras composições, mas decidimos não inclui-las. Escolhemos a dedo algo que pudesse ser apreciado como um todo, algo que pudesse ser aprofundado pelas pessoas”, afirma. 
 

Fundada em Patos de Minas, a banda Pássaro Vivo é formada por Lucas de Paula, Maria Zanuncio, Alexandre Rosa e Marcello Soares 


Produção 
Apesar de ter majoritariamente composições do vocalista, o disco foi feito de forma coletiva. “A criação dos arranjos das canções foi muito orgânica, de cada um chegar com sua cara e seu estilo, desde timbres a maneiras de se expressar com o instrumento. Foi uma troca de experiências, de imersão, de todo mundo se juntar e ir para a roça e trabalhar junto”, conta o músico. 

No estúdio, o trabalho também foi coletivo, com a produção musical assinada por Lucas, Alan Girardeli e Ciro Nunes. 
“Experimentamos muito na maneira de gravar e executar as músicas, nas texturais. Buscamos timbres e instrumentos diferentes. Como artistas independentes tentamos fazer o melhor com o que a gente tinha”, diz o músico, que se declara satisfeito com o resultado final. 

“A criatividade para resolver as coisas, usar os recursos da cidade (a banda é de Patos de Minas) e chamar parcerias foi fundamental para o disco”, diz. 

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