
Muita gente passa por eles e nem “tchum”. A exceção é a artista plástica, fotógrafa e, como se define, a “flâneur” Camila Lacerda. Com o olhar poético, ela fotografa corredores de passagem para os fundos de casarões do bairro Santa Tereza. Com o olhar plástico, ela transforma o que flagrou em uma série de telas em exposição no blog pessoal dela.
Com a ideia simples intitulada “Becos de Santa Tereza – Entrada Independente”, a artista, de 27 anos, fez um corte social, arquitetônico e cultural do bairro da Região Leste de BH.
“As famílias fazem esses barracões nos fundos para os filhos recém-casados morarem. Depois que o casal consegue a casa própria, o barracão vira uma fonte de renda para a família”, explica.
Estes becos provavelmente eram lugares pouco utilizados dessas residências. Com a adequação dos “puxadinhos”, eles ganharam cores vivas, decoração com espadas de São Jorge, um piso de cerâmica picotada. Tudo um pouco improvisado, mas que transmite o zelo de quem oferece abrigo ao filho que está quase saindo do ninho familiar.
“Eles transmitem uma ideia plástica. É uma construção ingênua, naïf, não é arquitetada. É algo bem característico do Brasil”, descreve.
Camila tem cinco telas prontas e quer completar dez. As pinturas são grandes com um metro e meio de altura. O próximo passo da missão, que começou no ano passado é pintar um beco de paredes brancas.
Além de Santa Tereza, a artista belo-horizontina diz que o bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul, é outro que tem essas características nas residências mais antigas.
Algumas das telas podem ser vistas no http://cargocollective.com/camilalacerda. Até o final do ano, a fotógrafa quer organizar uma exposição em BH com a série completa.
Camila Lacerda é bacharel em Artes Plásticas pela UEMG-Escola Guignard e pós-graduada em Cinema. Já participou de exposições coletivas e tem um ateliê em um porão de Santa Tereza. O beco por onde passa todos os dias para trabalhar, inspirou a primeira tela da moça.