BH recebe a maior exposição sobre o artista uruguaio Joaquín Torres García já realizada no Brasil
Mostra gratuita reúne mais de 400 obras a partir desta quarta-feira, com recorte exclusivo que dialoga com a arte e a cultura de Minas Gerais

Belo Horizonte passa a receber, a partir desta quarta-feira (15), a maior exposição já realizada no Brasil sobre o artista uruguaio Joaquín Torres García, um dos principais nomes da arte moderna latino-americana. Em cartaz até 12 de outubro, no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH), a mostra reúne mais de 400 obras, entre pinturas, desenhos, objetos, manuscritos e documentos históricos, além de trabalhos de mais de uma centena de artistas brasileiros e estrangeiros que dialogam com o legado do criador do Universalismo Construtivo. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingressos.
A montagem ocupa as galerias do terceiro andar e o pátio do CCBB BH, reunindo desde autorretratos produzidos no início do século XX até obras marcadas por formas geométricas e símbolos universais. Também chamam a atenção os brinquedos de madeira idealizados por ele, manuscritos, mapas históricos e peças que dialogam diretamente com a produção artística brasileira.
Idealizada pelo curador Saulo di Tarso, em colaboração com o Museo Torres García, de Montevidéu, a exposição ganhou um recorte exclusivo para a temporada mineira. Diferentemente das edições realizadas em São Paulo e Brasília, a mostra em Belo Horizonte enfatiza as relações entre o pensamento do artista, a arte popular e a cultura de Minas Gerais, incorporando obras de artistas locais, como Advânio Lessa e Randolpho Lamonier.
“Cada cidade transforma a exposição em uma experiência diferente. Em Belo Horizonte, buscamos evidenciar as conexões entre o pensamento de Torres García, a arte popular e a cultura mineira”, afirma o curador Saulo di Tarso.
Obra histórica e diálogos com a América Latina
Entre os principais destaques está a obra "América invertida", considerada uma das imagens mais emblemáticas da história da arte latino-americana. Raramente exibida fora do Museo Torres García, a peça propõe uma inversão simbólica do mapa do continente para questionar a centralidade geográfica e cultural do Hemisfério Norte, tornando-se um dos maiores símbolos da afirmação cultural da região.
A exposição também evidencia como Torres García aproximou as vanguardas europeias das referências pré-colombianas e latino-americanas, consolidando um pensamento artístico que permanece atual em debates sobre identidade, pertencimento e autonomia cultural.
Experiência para todas as idades
Outro eixo da mostra é o caráter educativo. O percurso destaca a importância que Torres García atribuía à infância e à experimentação artística, inspiração que se reflete nas visitas mediadas e nas atividades voltadas a públicos de todas as idades. O artista defendia uma educação baseada na criação de símbolos e na liberdade inventiva, princípios expressos em seus brinquedos de madeira e em sua produção visual.
A mostra permanece em cartaz até 12 de outubro, nas galerias do terceiro andar e no pátio do CCBB BH. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados pelo site do centro cultural ou diretamente na bilheteria física do espaço.







