Biografia de Jack London convida leitor a viagem aventuresca

Miguel Anunciação - Hoje em Dia
Publicado em 05/06/2013 às 08:07.Atualizado em 20/11/2021 às 18:51.

"Uma vida tão dramática merece uma biografia que se lê como um romance", sintetizou o inglês Daily Telegraph a respeito de "Jack London, uma Vida", de Alex Kershaw (Benvirá). A síntese procede: a despeito das 400 páginas e do desgosto que lombadas assim provocam em leitores amofinados, o livro é mais que recomendável. Pois nos absorve como uma viagem aventuresca, sempre plena de novidades interessantes.

Parte deste magnetismo se deve à condução assumida pelo britânico Kershaw, autor de outros volumes bem comentados, que nos fisga com notável habilidade de contador e preciosa articulação de pesquisas sobre o personagem e seu tempo. Outra razão deste animado interesse, lógico, se deve ao próprio personagem.

Mal conhecia London? Então saiba que ele se ajustaria perfeitamente a um sinônimo de escritor. Tem base: mais (re)conhecido escritor americano de todos os tempos, é lido até hoje por milhões de pessoas em todos os cantos do mundo. Exemplo: "O Chamado Selvagem", um dos seus vários clássicos, já foi traduzido em 80 países de todos os continentes.

Morto em 1916, devastado pelo consumo de drogas e pelos sopapos que impôs à própria saúde, London escreveu 40 livros e vendeu um milhão de cópias durante os 40 anos que viveu. De origem miserável, foi "o primeiro americano de extração operária a ser lido por sua própria classe".

Contraditório

Admirado por mitos como Joseph Conrad, tudo o que realizou lhe custou muito (se gabava de escrever duas mil palavras/dia, sob quaisquer condições) e exuberante dotação para a escrita. Mais que contos, romances e poesia, assinou centenas de artigos sobre vários assuntos, sobretudo política – foi socialista assumido e militante durante anos.

Autor de obra vasta e vigorosa, motivo de análise de acadêmicos, transitou com estatura por "N" ambientes: mais que literato, rodou o mundo e relatou o que viu (suas impressões sobre os pobres de Londres e o surfe no Havaí inspiraram grandes escritores, são consideradas bases do new journalism) e as experiências que plantou na sua fazenda, em São Francisco, são modelos, inauguram o manejo orgânico.

Contraditório como todo mundo, foi um dos primeiros escritores a ter sua obra vertida para o cinema e liderou iniciativa por direitos autorais, inédita até então; desdenhou "o sonho americano" da prosperidade vinda do trabalho e torrou o US$ 1 milhão que ganhou em vida com negócios errados e mão aberta de milionário.

Deixou dívidas exorbitantes, uma porção de desafetos e bens inestimáveis. De tudo, e muito mais, Kershaw dá conta. Por isso, quem busca no que se debruçar – uma grande obra, uma grande figura, destinos notáveis –, o livro é este. Então adquira-o.

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